Segunda-feira, Junho 26, 2006


Mais uma da série Países da Copa


Gana

O ato de escrever é cercado por uma infinita série de armadilhas. Uma delas são os fáceis caminhos do lugar comum, que podem ser seguidos por escritores preguiçosos ou com torcicolo na criatividade. Por isso, me recuso a fazer trocadilhos entre a palavra gana e o nome do país africano. Vou sim provar que sou muito aplicado e contar a todos que a economia do país se baseia principalmente na extração de recursos naturais, ao norte se estende uma floresta tropical, a constituição determina um sistema de governo multipartidarista, a capital chama-se Acra (um Acre que desejou ser mulher), a música tem uma enorme influência da percussão e o futebol é jogado com um alegre gingado. Percebeu? O Brasil vai jogar contra o Brasil! Ou seja, só pode dar Brasil! Nem será preciso tanta gana...

Grito de guerra para esse jogo: "Tomei três goles de cana, me embaralhei e torci pra Gana"
Bebida para esse jogo: Gana, digo, cana.
Traje: Roupas recicladas de bagaço de Gana, digo, cana (está vendo o que eu quis dizer com "fáceis caminhos do lugar comum"?).


escrito por alisson villa

@ 20:29 caixa de correio: cartas

Sábado, Junho 24, 2006


Poema em flor B-612

Para Jacomeu

Quando nenhum poeta
careta ou tarado
bailarino ou parado
em versos uma flor não alfineta
as pétalas murcham
murcham o perfume
demoram milênios para que o tesão aprume
beijos não lutam
lutam o tédio
ternuras suicidas se arremessam do prédio
morre o amor
morre a mulher
morre o homem
os espinhos são os únicos que nunca somem


escrito por alisson villa

@ 11:44 caixa de correio: cartas

Domingo, Junho 18, 2006


Copa


Croácia

Croácia, terra pátria dos famosos biscoitos crocantes, esses mesmos que você morde com a ponta dos dentes - não ponta da chuteira, leia novamente a frase seu viciado em futebol - e faz "unnnn". Sem a mínima chance de ganhar do Brasil no jogo de estréia da copa, na verdade eles irão fazer turismo contemplativo durante a partida. Entre uma jogada fantástica e outra de Ronaldinho Gaúcho - não o gorducho -, provavelmente, vão perguntar a ele a marca de seu shampoo. Eu perguntaria, você não?

Grito de guerra para esse jogo: "O timinho (pausa) da Croácia (pausa) é uma enooorme falácia"
Bebida para esse jogo: cerveja, pois é terça-feira ainda.
Traje: qualquer um que não seja o de banho.

Austrália

Tem bico de pato, mas também pêlos no corpo. É mamífero, mas bota ovo. Tem veneno nas patas traseiras, mas mergulha ludicamente para comer frutos do mar. Esse é o pitoresco ornitorrinco, tradicional bichinho australiano que define muito bem a seleção de futebol daquele país: estranha! Talvez por isso eu guarde um carinho especial por esse adversário do Brasil na primeira fase da Copa. Em um dado momento podem tropeçar na bola, jogando-a por debaixo das pernas do Lúcio - o que não é tão difícil - e com um chute de olhos fechados acertar o ângulo da meta do goleiro Dida. Absorto, posso até comemorar, com um salto de canguru, mas aí já um papo pra outro bicho.

Grito de guerra para esse jogo: "Coitado do timinho da Austrália, parece que estão todos com malária"
Bebida para esse jogo: água com beterraba - em ritmo de ornitorrinco, ora!
Traje: desta vez pode ser até o de banho.

Japão

Pátria mãe dos Changeman e Jaspion, o Japão é mestre em produzir monstros gigantes andando sobre maquetes miniaturas de Tóquio, trajando fantasias com zíper aparecendo nas costas. Eu queria ser o Chang Grifon e namorar a Marmeide. Outra característica mais que lugar comum desse país é a tal da tecnologia. Já fizeram um robô que dança a macarena e uma câmera que tira fotos de Plutão. Ah! Dizem por aí que estão pensando em jogar futebol também. Estranho não?

Grito de guerra para esse jogo: "Guiodai ai ai ai ai ai"
Bebida para esse jogo: saquê com cachaça
Traje: Kimono com havaianas.


escrito por alisson villa

@ 11:47 caixa de correio: cartas

Segunda-feira, Junho 05, 2006


Para desenrolar uma moça linda


Para desenrolar uma moça linda é preciso, primeiro, dedicação. Não desistir no primeiro não. E se possível, criar diversas possibilidades para um sim, assim: sorvete de flocos, música boa, cafuné à toa, elogios em blocos, beijo demorado, mal humor de lado...

Para desenrolar uma moça linda é preciso respeitar espaços. Usar sorrisos ao invés laços. Tornar-se alvo e não a flecha, como quem se lança sem ser notado, uma pluma leve dentre pesados fardos.

Para desenrolar uma moça linda é preciso também saber mágicas. Colorir de carinhos situações trágicas. E nunca, nunca, nunca contar do segredo uma centelha. Salvo, claro, se for no fundinho de sua orelha.

Para desenrolar uma moça linda é preciso contar com forças aliadas. Ter a disposição as obras de artistas maiores como filiadas: dançar um samba do grande amor, mesmo que este durma na aorta, há sempre uma esperança atrás da porta, para uma menina com uma flor.

Para desenrolar uma moça linda é importante também ter firme os pulsos. Não argumentar entre soluços. Mostrar-se merecedor de tal conquista. E não um carro veloz a derrapar na pista.

Para desenrolar uma moça linda é preciso inventar uma flor invisível. Porém com pétalas, cheiro e cor descritas da maneira mais crível. E se a flor ganhar um nome, saiba que esse vínculo nunca some.

Mas se nada disso adiantar e a moça linda não desenrolar, tente mais um ou dois suspiros, dança engraçada com muitos giros, dizer simplesmente que dela gosta e que se não beijá-la agora seu coração despenca triste repartido em mil e rubras postas.


escrito por alisson villa

@ 21:32 caixa de correio: cartas


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