Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
Bom dia
Bom dia aos que sorriem pelo sol que nasceu, pela lua que virá e o arco-íris inventado;
Bom dia aos que sambam mesmo parados;
Bom dia aos que copiam as asas dos passarinhos e abrem os braços em laços abraços;
Bom dia aos que têm algodão nos passos;
Bom dia aos que garimpam em qualquer canto do dia um motivo para sorrir;
Bom dia aos que se dividem sem partir
Bom dia aos que dançam e cantam no chuveiro a sexta-feira de todo dia;
Bom dia aos que lêem qualquer poesia;
Bom dia aos que levantam a sobrancelha para um aceno qualquer na rua;
Bom dia aos que festejam a felicidade como se fosse somente sua;
Bom dia aos que dão bom dia;
Bom dia antes que tardia;
Bom dia aos que pensam em voar de asa delta;
Bom dia aos mineiros, africanos, selenitas e seltas;
Bom dia aos que dão de ombros, joelhos e cotovelos para uma mau humorada careta;
Bom dia aos que sugam cerveja como bezerrinho na teta;
Bom dia aos que viajam com os pés no chão e os olhos fechados;
Bom dia aos que mesmo sozinhos sentem-se amados
Bom dia aos que fazem um minuto de silêncio e depois gargalham;
Bom dia aos que engordam, emagrecem, mas nunca malham;
Bom dia aos que acreditam no beijo como cura de qualquer moléstia do coração;
Bom dia aos que tem coração, aos outros não;
Bom dia aos que levantam da cama, do chão ou das unhas de um amante;
Bom dia aos que brilham os olhos mais que diamante;
Bom dia aos que sangram vontades como se a vida fosse um açoite;
Bom dia, mesmo que seja noite.
Foto: Edu Moraes
escrito por
alisson villa
@ 22:06
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Sexta-feira, Janeiro 27, 2006
Sua cama. Você deve ter uma. Ao menos um colchão. Repousado no chão. Pois bem. Sua cama. Uma piscina de plástico. Sim, aquelas. A infância. Você achando que era o mar. Não era o mar. Belo Horizonte. Era a piscina de plástico mesmo. Voltando. Pegue a piscina. Vazia. Você não é o Hulk. Coloque-a sobre a cama. Encha com água. Não a cama. A piscina. Aquela, da infância. Entre nela. Que refrescante! Durma! Sonhe que é um peixe. Assim não se afoga.
escrito por
alisson villa
@ 00:38
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Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
Dicionário Lúdico Brasileiro
Vítor Freire - 1.Espécie terrestre de atum que migra da região nordeste para a sudeste do Brasil; 2.Aqueles que possuem parentesco distante com Don Juan de Marco, mas com igual habilidade; 3.O mesmo que tropeçar no vento; 4.Diz-se daqueles que pescam pessoas com coração inclinado para coisas bestas da vida; 5.Movimento das antenas das formigas quando se encontram pelo caminho; 6.Bebida típica do interior da Bahia em que se vicia no primeiro gole e cujo teor alcoólico é alto o bastante para deixar Deus embriagado (Ex.: No dia em que bebi Vítor Freire, equilibrei-me no parapeito do mundo para fazer xixi em uma estrela boboca que passava lá embaixo - em: Cosmo-polida, de Alisson Villa).
Para Vítor, meu carinho e essas palavras bestas. Felicidades amigo.
escrito por
alisson villa
@ 21:46
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Quarta-feira, Janeiro 11, 2006
Chega um dia em que a gente decide: "Quero ser feliz"! Esse dia pode ser daqui a dez anos, pode ser amanhã, pode ser a cada hora, enfim, não importa muito o calendário, mas sim a certeza de que ninguém vem ao mundo determinado a sofrer. E mesmo que a tal felicidade seja como o "amor eterno enquanto dure" de Vinícius de Moraes, que ao menos cada um possa aproveitar a sua parcela, seja ela um estalo de segundo ou a sorte de uma vida inteira.
Mas, não sei se você já percebeu, a felicidade se apresenta para cada um em cores, formas e gostos diferentes. Os masoquistas de carteirinha são um paradoxal exemplo, pois se sofrem, não duvide, estão sendo felizes. É por isso que, diante de tantas complexas combinações de felicidades, resolvi fazer uma pequena lista para auxiliar as pessoas a identificar esse tão almejado sentimento em algumas situações. Vamos a elas:
- O trapezista é feliz quando, depois de ver o mundo girando, sente suas mãos tocarem firme o trapézio.
- Já o palhaço poderia ser desprovido da visão que lhe bastaria escutar as gargalhadas das crianças após mais um gesto desengonçado seu.
- O cachorro abanana o rabinho feliz da silva ao sentir o cheiro do dono que entra pela porta da casa.
- O gato é feliz quando está bem alimentado, confortável e sozinho.
- A criança é feliz no colo da mãe, no ombro do pai, com a língua no sorvete, chutando uma bola, empinando uma pipa, vendo um desenho, escutando histórias, colecionando figurinhas, correndo pra não ser pego, escondendo pra não ser achado, descendo do muro com o joelho ralado, tomando refrigerante, acabando o para-casa, puxando as tranças da irmã, enfim, criança é um ser que derrama felicidades pelos bolsos.
- Engana-se quem pensa que a felicidade do piloto está na reta. Ela existe na ultrapassagem.
- A rara felicidade do computador é quando ele não trava.
- Aquele que gosta é feliz quando a outra pessoa sorri, o apaixonado quando o seu sorriso é exclusivamente da outra pessoa e o que ama quando os sorrisos de ambos são um só.
- O ansioso nada em felicidade quando tudo acontece ao mesmo tempo.
- Por sua vez, o mentiroso cala-se feliz quando sua mais perfeita mentira vira verdade.
- Para ser feliz, ao passarinho basta lembrar que possui asas.
- E o escritor entristece quando acaba um texto, pois deixa a felicidade repousada no instigante momento da criação.
escrito por
alisson villa
@ 20:02
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Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
Alguém percebeu como a noite custou a chegar hoje em Belo Horizonte? Mas eu flagrei: dez pras oito da noite, o sol perdido sem seu mapa, procurando a passagem pelas montanhas de Minas. Desorientado, coitado, quebrou cabeça até descobrir a saída. Quase que meia noite vira meio dia.
escrito por
alisson villa
@ 23:00
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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

Cachacinha nasceu Eduardo. Em sua primeira fotografia usou lentes verdes, retratando o teto da maternidade. Achou chato: "Se o mundo for essa placa branca sem graça prefiro voltar para placenta". Mas logo descobriu que tudo podia ser muito interessante quando, ao ser carregado pela enfermeira, seus olhos ganharam uma forte mancha amarelada ao passarem rapidamente por uma simples lâmpada. E, finalmente, a confirmação de que a vida tinha algum sentido surgiu ao ver a boca da mãe aberta em um sorriso inteiro só para ele. Aquela foto ele preferiu não tirar, pois em sua imaginação ela ganha gosto e calor, sensações que desde então Cachacinha tenta passar em seus registros fotográficos nada experimentais, afinal, tudo o que realmente precisava ser aprendido ele já tinha vivido nas primeiras horas de sua vida.
Felicidades Edu! Sempre!

