Quarta-feira, Setembro 28, 2005

Apesar das autoridades negarem, roubo de cores
borboléuticas está cada dia mais comum
Uma borboleta de cinco horas de vida foi assassinada ontem à tarde no cruzamento das ruas Cristóvão Colombo e Brasil, na Savassi, em Belo Horizonte. Ela foi abordada por dois assaltantes quando voltava para sua residência, no jardim central da Praça da Liberdade. De acordo com testemunhas, a borboleta teria reagido ao assalto e tentado voar, sendo imediatamente atingida com sete tiros à queima roupa.
No entanto, amigas da borboleta negam a versão e dizem que ela seria incapaz de reagir. "Como é que um ser que só fazia brincar entre flores iria reagir a uma arma apontada para suas asas?", questiona uma delas que, ainda assustada com o fato, pediu para não ser identificada.
Trabalhando como jardineiro da Praça da Liberdade há três anos, Waldir Tess Ouras afirma que o fato está se tornando corriqueiro na região. "Já cansei de ver bandidos cercando borboletas aqui perto para roubar suas cores", afirma Tess Ouras, que desta vez lamenta profundamente o desfecho dos acontecimentos. "Ela combinava tanto com as novas margaridas que plantem esta semana", conta.
Contradizendo as declarações do jardineiro, o tenente do 956º Batalhão de Polícia, Paulo Stejan Preson, diz que o índice de crimes contra borboletas na região da Savassi diminuiu 95762% nos últimos três segundos. "A violência é fruto da imaginação da população, pois estamos sempre atentos para prender, pressionar e julgar os elementos que praticam qualquer delito", afirma.
Antes de ser encaminhado para o enterro em sua cidade natal, no interior de São Paulo, o corpo da borboleta foi velado durante toda a noite de ontem, que foi marcada por momentos emocionantes. Após formarem um arco-íris de aproximadamente nove metros de extensão, as amigas da borboleta escreveram com o próprio corpo a seguinte frase no céu: "Com a violência, nos arrancam as asas, nos desbotam as cores e nos transformam em gente".
Pintura da borboleta: Nanna

