Quarta-feira, Junho 30, 2004
O touro flerta no espaço com a dança avermelhada.
Transbordando de impulso o desejo pelo objeto longínquo,
avança, firme, carrega, nobre, os chifres a julgar precípuo
Mas junto ao toureiro, há o rubro e há a espada.
escrito por
alisson villa
@ 08:49
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Terça-feira, Junho 29, 2004
Um pássaro atravessa o carpetado céu de nuvens:
asas retesadas, pêndulo de um lado a outro decaindo lento.
Uma criança grita: "Ele segura no vento"?
E atinando bem, para voar são precisos reféns.
escrito por
alisson villa
@ 09:39
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Sexta-feira, Junho 25, 2004

O sinal me fechou. E meu caminhar - antes de saltos e pólvora - agora treme estático, balança rígido, rasteja na altura precisa dos limites. O sinal me fechou. E vestiu meu corpo com irônicas cores sob a sombra. O sinal me fechou. E não avisto carros, apenas tratados unilaterais para liberar o trafegar de quem forte for tão cinza-em-fumaças. O sinal me fechou. E do outro lado, outros tantos como eu, amargurados, borram a tinta que colore dentro. O sinal me fechou. Mas ainda guardo, por debaixo de minhas secretas mangas, um sonho fresco, o dia seguinte e um trapézio à espera do vôo.
Texto: Alisson Villa
Foto: Edu Moraes - www.cabezamarginal.org/imagetico
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alisson villa
@ 15:57
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Quarta-feira, Junho 23, 2004
Então Minas curvou suas montanhas
e terra nos meus olhos, disse:
"Sua timidez é bobice".
Solidárias, as nuvens ficaram tacanhas.
Façanha seria resposta tal e qual:
"Bobice é seu corpo de varapau".
Mas faltou coragem,
minha eterna auto-sabotagem.
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alisson villa
@ 00:27
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Sexta-feira, Junho 18, 2004
À Lilian Trigo
Estado Primeiro - A manhã
Penetra meus olhos com uma energia de proporção exageradamente ingênua, como se para acertar o alvo importasse mais a velocidade da flecha que a pontaria planejada. Apesar da afoita investida, entrego-me inteiro, não porque a mira fora certeira, mas sim pelo movimento que o alvo também se prestara.
Estado Segundo - A tarde
Despejo pelo ambiente o resto da fumaça que ocupava o pulmão. Você passa por dentro dela e inclina o rosto para, quase de perfil, respirar o ocasional encontro do nosso olhar. Você de soslaio e eu arregalado com tamanha beleza misturada à neblina de nicotina.
Estado Terceiro - A noite
A pupila dilata-se lançando suas mãos à frente para tatear o que é possível encontrar pelo escuro caminho. Em dado momento, nossos corpos se esbarram. E a certeza de estar realmente ao seu lado se deve ao fato do seu cheiro tomar conta de meus sentidos: escuto o aroma verde de suas palavras elogiando uma parte qualquer de meu rosto; sinto o aroma vermelho do seus dedos tocando meu pescoço; e, principalmente, vejo o aroma marrom claro de seus olhos beijando os meus.
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alisson villa
@ 00:36
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Quarta-feira, Junho 16, 2004
Este poema não nasceu semente
Foi algum estalo de arrancar com o dente
Como se o amor me ultrapassasse a 110
e nos papeis sinalizo urgente - medo de não avistá-lo mais:
Pare, olhe e escute: eu fiquei pra trás
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alisson villa
@ 10:09
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Aguardem, em breve, cenas do próximo capítulo.
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alisson villa
@ 09:23
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Segunda-feira, Junho 07, 2004
A pedra não deseja ser outra coisa a não ser pedra. E quando uma criança, armada de seu bodoque, insiste em arremessá-la para o alto, a pedra desatravanca uma boca a tomar quase todo o seu corpo em um bocejo incrustado de rebeldia e sarcasmo - afinal, quem é capaz de voar e parir tédio no mesmo instante? No entanto, acertar o alvo não é motivo para rugas, na verdade, causa mesmo um certo alívio, pois garante que uma companheira não seja objeto da insistência predatória de destruir uma lâmpada ou uma vidraça ou um vaso chinês ou um Zidedê-de-barriga-laranja.
Certa vez, tropecei em um hipopótamo e caí com a orelha grudada em uma pedra. Pude então escutar a sua língua-pátria, que mais tarde folheando a enciclopédia Glasnort descobri chamar-se Silentium. O sotaque lembra um pouco a língua das paredes, fazendo com que a Pedra, em muitos casos, passe desapercebida pelo resto do mundo. Talvez por essa razão nunca escutaram seus resmungos durante os seguidos séculos em que as espumosas ondas engoliram suas beiradas.
escrito por
alisson villa
@ 10:54
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Sexta-feira, Junho 04, 2004
(Texto originalmente publicado em www.racaeamor.blogger.com.br)
É 1987. Eu então com 9 anos de idade escuto pela Itatiaia a semi-final do brasileiro entre Atlético e Flamengo. Dois a zero para o time rubro-negro, em pleno Mineirão. Retiro a camisa atleticana do corpo e choro desconsolado enquanto a aperto com força entre meus pequenos dedos. O velho Binha, flamenguista que perambulava pelos botecos do lento bairro de Santa Efigênia, grita eufórico do centro da praça próxima à minha casa.
Meu pai, de quem herdei este sangue de mistura alvinegra, chega em casa e vê seu filho desiludido, com o rádio desligado. Exercendo seus malabarismos de pai, tenta me animar dizendo que o Atlético vira o jogo. Para tanto, explica das formas mais mirabolantes como o time mineiro faria para não perder aquele jogo. Ligamos o rádio. Dois a um: um frio na barriga. Dois a dois: corro exaltado para a janela e grito como louco para o Binha escutar. Olho para o meu pai e esquento de felicidade por confiar cegamente naquele homem: "o Atlético vai virar o jogo"!
Renato Gaúcho corre em direção à grande área, dribla João Leite e empurra a terceira bola para o fundo do gol atleticano. Foi o que assisti na TV durante todo o dia seguinte. Nunca poderia ficar decepcionado pela promessa do meu pai não ter se realizado. Foi incrivelmente reconfortante acreditar por alguns minutos que o Sr. Salvador era um super-herói que, mesmo não dependendo apenas de seus super poderes, consegue exterminar as tristezas do filho. Meu pai percebera que não seria a única vez que eu choraria por amor na minha vida. Mas tinha certeza que aquele seria o raro momento em que ele também sofreria pelo mesmo ser amado.
escrito por
alisson villa
@ 12:00
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Quarta-feira, Junho 02, 2004
Sei que de romântico não há nada, mas essa sua boca roxa de açaí fortifica meus pensamentos que é uma beleza!

