Quarta-feira, Março 31, 2004


Ainda rola de confiar na mãe?


Na noite do dia 25 de março, Junior Lima - o que forma a dupla com a excêntrica Sandy - subiu ao palco como convidado do guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura. Tocaram "Purple Haze", de Jimmy Hendrix, "Are You Gonna Go My Way?", de Lenny Kravitz, e "Rock 'n Roll", do Led Zepelin. Pois eu só digo uma coisa: nem se tocassem Canibal Corpse a minha alma aberta a misturas aceitaria de forma natural essa tosqueira. Será que nesse mundo de meu deus ainda é possível confiar pelo menos na nossa mãe?



Outra cena hilária, também protagonizada pelo maninho da Sandy, aconteceu naquele sofrível show em homenagem ao Ayrton Senna exibido pela Globo. Na última parte, todos os cantores entraram juntos no palco para cantar uma música dos Novos Baianos. O ministro Gil rodava como louco, Caetano abria os braços em reverencias à Sandy - que cantou Sampa constrangedoramente mal -, Ivete Sangalo e Daniela Mercury dando aqueles gritos assustadores e, finalmente, Chico Buarque com olhar firme para frente e corpo agarrado ao pedestal do microfone. Acontece que Junior, ao chegar saltitante do lado de Chico, ficou dando aqueles sorrizinhos e cantando escorado no autor de Construção. Este, por sua vez, não movia o corpo, rosto inclinado pra frente, só mexeu os olhinhos para o lado de Junior. Neste momento, Chico deve ter pensado: "Bem feito pra mim, quem mandou não continuar com minha conduta reclusa".

Pai, afasta de mim esse cálice!


escrito por alisson villa

@ 15:10 caixa de correio: cartas

Segunda-feira, Março 29, 2004


Passando os olhos


Leia-me pelos sussurros
na sensual escuridão do encontro

Leia-me pelos sonhos
na escura solidão do sono

Leia-me pelas metáforas
nos escuros entendimentos de um poema

Leia-me pelo resto
em divididas escuridões

Leia-me pelas cores
entre as escuras molduras do quadro

Leia-me traduzido
na desconhecida escuridão das palavras estrangeiras

Leia-me em rodopios
Na escurecida altura da roda gigante

Leia-me pelo avesso
na treva enlameada da depressão

Leia-me
em negra, escura, devoção...


escrito por alisson villa

@ 23:43 caixa de correio: cartas

Quinta-feira, Março 25, 2004


E foi arremessada a segunda pedra


Dona Letícia pediu pra avisar que o jornal "Estilingue: literatura e arredores" convida todos - imaginem um jornal de óculos, claro, porque todo jornal usa óculos, chamando as pessoas com suas mãos molengas de papel - para um café com chorinho de lançamento do seu segundo número, dia 31 próximo, nas proximidades do D.A. de Letras da UFMG. Manhã: 9:00 horas; noite: 8:30 h.

Será que vai ter biscoitinho com manteiga? Vou lá ver.



escrito por alisson villa

@ 12:25 caixa de correio: cartas

Terça-feira, Março 23, 2004





Essas imagens fazem parte de um vídeo - não autorizado - no qual a turma do Charlie Brown toca e dança a música sucesso do momento: Hey Ya, do Outkast. Quem abre o "vídeo-clipe" é Charlie Brown, gritando o "One-two-three-four". Então Schroeder pilota seu famoso piano, Snoopy dedilha a guitarra e a versão mundial do Cascão, o Pig Pen, toca o contrabaixo. O resto da turma dança a música, demonstrando uma divertida e bem feita edição das imagens. O vídeo é sucesso nos programas de distribuição de arquivos na Internet e anda arrepiando os cabelos da United Media, detentora dos direitos de imagem do Peanuts.

Até quando as multinacionais vão dar soco em ponta de faca e não entender que o melhor a fazer com a Internet é unir-se e balançar o esqueleto? Lucros vão baixar, mas não se pode ganhar sempre... Charlie Brown que o diga!


escrito por alisson villa

@ 10:14 caixa de correio: cartas

Segunda-feira, Março 22, 2004


From: Alisson Villa
To: Vitor Freire
Sent: Thursday, August 14, 2003 10:27 AM
Subject: Re: Are you the Walrus?

"Não acredito que elas invadam Verdadópolis" - pronunciou Verdade-Ingênua, com corajosa segurança diante de um plenário preocupado com a possibilidade de uma invasão do exército de Mentirópolis. Mas ao ser indagada pela Verdade-Experiente sobre como podia ter certeza disso, ela mergulhou em um silêncio constrangedor, pois era assim que as Verdades reagiam quando se viam impedidas de inventar uma resposta. "Ora, não estamos no congresso das Certezas" - gritou, lá de trás, uma das mais engraçadinhas. Os primeiros risinhos começaram a brotar. "O porta-voz de Mentirópolis jurou pra mim que não nos invadiriam" - confessou a Verdade-Ingênua, sendo soterrada por uma avalanche de risadas. Mas a Verdade-Experiente interrompeu a algazarra e com um olhar paternal profetizou à pobrezinha: "Se continuar a acreditar naquilo que lhe contam na mesma proporção com a qual diz a verdade, não tardará a mudar-se definitivamente para Malancolópolis". Todas concordaram.

Caro sr. Freire,

muitíssimo obrigado por doar, durante alguns segundos, suas retinas às minhas palavras. Elas mandam um colírio como agradecimento. Devo endereçá-lo para Salvador, certo? Pelo menos foi o que a realmente muito amável Mônica me contou. Eu, no entanto, sou de Belo Horizonte - conto caso, algum dia, queira saber mais sobre nuvens entre montanhas.

Pois bem. Dei uma espiada rápida no seu Cabeza Marginal e gostei muito do que vi. Li pouca coisa, pois, no momento, estou no serviço. Prometo dar uma vasculhada melhor mais à noite. Mas já adianto que aceito sim o convite para adentrar com meus neurônios nessa congregação. E o que tenho que fazer? Tem uma periodicidade para mandar textos? Vou ter uma coluna? Posso escrever sobre qualquer assunto? São oferecidos chocolates aos participantes? Prefere o Bahia ou o Vitória? Reparou na lua ontem? Para onde vão as unhas cortadas e os guarda-chuvas perdidos?

Bom... é isso. Aguardo suas respostas.

Trapézios e gangorras pra você,

alisson

Ps.: Adorei o texto sobre a Mentira. Tanto que escrevi um sobre a verdade, que é pra balancear.


escrito por alisson villa

@ 12:55 caixa de correio: cartas

Quinta-feira, Março 18, 2004


De : Vitor Freire
Enviado : quinta-feira, 14 de agosto de 2003 04:30:41
Para : bucolico@hotmail.com
Assunto : Are you the Walrus?

"Morte as verdades! Vamos matar todas elas!" - gritou no meio da reunião anual das mentiras.
E todas repetiram em coro.
Até que uma mentira representante da ala das 'as mentiras que contamos por amor', atacada por meses de depressão profunda, pediu a vez soltou: "Não precisamos perder tempo com isso. Hoje em dia as verdades estão meio suícidas."

Doutor Ilustre You are the Walrus,

Por prescrição da infinitamente amável e gentil ilustre engenheira Mônica [http://missiva.blogspot.com], joguei duas retinas tontas no meio de suas palavras. Fiquei um tempo sem elas. Gostaram tanto do que sentiram, que ficaram por lá, deixando-me com a cômoda cegueira por alguns largos instantes. O fato é que elas voltaram, e trouxeram-me a vontade de escrever esse e-mail e mais, convidá-lo a participar de um projeto chamado 'cabeza marginal'. já ouviu falar? o link é http://cabezamarginal.org

Funciona mais ou menos assim: O cabeza é uma reunião de neurônios. [não, não é aula de biologia]. Assim, é como se fosse um site maior que coordena e administra [isso tudo é só teoria] as seções [pequenos sites] de artistas, grupos e colaboradores. A idéia então seria reunir seus textos e imaginarmos algumas características ilustrativas, como imagens e coisas do tipo, montando o layout da seção. Pense na proposta. Além disso, todos os participantes do cabeza podem fritar uns pastéis no nosso blog, http://cabezamarginal.org/cabezas

Aguardo retorno.

Grande abraço,
Vitor Freire


escrito por alisson villa

@ 18:11 caixa de correio: cartas

Quarta-feira, Março 17, 2004


Medopoesia


À Ana Elisa Ribeiro - 15/05/03


E se a poesia ficar gripada? Ou pedir divórcio? Ou for mal na escola? E se a poesia perder um filho? Perder um dente? Perder o rumo? E se a poesia quebrar a perna? Ou morrer de susto? Ou surtar as rimas? E se a poesia lamber o asfalto? Quebrar o salto? Saltar do prédio? E se a poesia for só poesia? Não amanhecer metáforas? Não subir em árvore? E se a poesia escrever fofocas? Descrever o fútil? Decrescer ao pó? E se a poesia perder o tesão? For contra ternuras? Ou limar palavrão? E se a poesia nascer do avesso? Deus! E se a poesia nascer do avesso?! Eu grito a Ana e peço berço!


escrito por alisson villa

@ 09:24 caixa de correio: cartas

Terça-feira, Março 16, 2004


Pecar


Pele com pele presa pelo pênis:
pêndulo pecaminoso.

Peculato de minha persona
Percorre pedaços da pensão
À procura pegajosa
De penitenciar-se pelo pecado.


escrito por alisson villa

@ 00:11 caixa de correio: cartas

Terça-feira, Março 09, 2004




Acho que o pessoal do LapaMultshow, em Belo Horizonte, pensa que a banda Los Hermanos é natural do México. Prova disso é a imagem de divulgação disponível no site deles. Arriba!!!!


escrito por alisson villa

@ 12:49 caixa de correio: cartas

Sexta-feira, Março 05, 2004


Minha amiga de beijo na palma da mão me mandou esse poema:

Aos amigos

Autor: Herberto Helder

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos, com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.


escrito por alisson villa

@ 17:56 caixa de correio: cartas

Quinta-feira, Março 04, 2004


Nossila... Nossila... Nossila...


Quando criança, costumava escrever meu nome ao contrário em tudo quanto é canto. E ao ser lembrado disso, em uma despretensiosa conversa com Srta. Chris, fiquei tão emocionado e feliz como quando, meses atrás, chupei o chiclete bolim-bola e me senti comprado bala na porta do Instituto de Educação!


escrito por alisson villa

@ 01:20 caixa de correio: cartas

Terça-feira, Março 02, 2004


Guia de como fazer matérias esportivas
tendenciosamente apaixonadas ou O dia da alegria


(Texto originalmente publicado no blog Raça e Amor)

Talvez tenha sido o melhor clássico mineiro dos últimos tempos. Certamente o melhor que já vi das arquibancadas sempre majoritariamente alvi-negras do Mineirão - fato esse que deve embaralhar as já naturalmente desbaratinadas cabeças azuis, mas que se explica facilmente: no lado atleticano não há simpatizantes, apenas torcedores arduamente apaixonados.

Aquele bissexto 29 de fevereiro de 2004 abrigaria o primeiro confronto entre o principal time de Minas e a equipe do Barro Preto depois que eles conseguiram sair dos amargos 32 anos de fila para conquistar o campeonato brasileiro - título que o Glorioso já ostenta, com a naturalidade dos nobres, há muito tempo. Antes daquela data, o Atlético tinha que se sujeitar a enfrentar pelo Campeonato Mineiro apenas times do segundo e terceiro escalão brasileiro. Já estava ficando tremendamente sem graça.

O primeiro gol, logo no início da partida, acontece do lado errado, com o ex-jogador atleticano Guilherme marcando 1 a 0 poucos segundos depois de escutar o simpático coro das arquibancadas: "Oh Guilherme otário, seu assassino, cachaceiro e mercenário" - assassino pelas acusações de ter matado pessoas com sua direção perigosa pelas ruas, cachaceiro pela sua eterna barriga de barril, mercenário pelo fato de flutuar facilmente para o outro lado da lagoa e otário, provavelmente, por todo o conjunto da obra aqui apresentado.

O silêncio no estádio durou o pouco tempo do atacante Wagner driblar o zagueiro Cris e cruzar para Alex Mineiro apenas empurrar tranqüilo para fundo da rede. Sobre a cabeça dos torcedores sobe a maior bandeira do mundo, exclusivamente preta e branca, cobrindo quase todos os atleticanos - para que todos fossem cobertos a bandeira teria que ser inimaginavelmente maior que as arquibancadas do Mineirão.

Jogando ao som de música - os versos iam do "Nós somos do Clube Atlético Mineiro" até o "Uma vez até morrer" - o armador Tucho fez bailar dentro da área dois zagueiros adversários - um deles, ruim da cabeça e doente do pé, despencou no chão - e marcou o gol da virada. Os abraços e os sorrisos espalhados por todo o estádio nem terminaram e mais um vez Wagner vai à linha de fundo para, desta vez, cruzar para um inspirado Tucho marcar 3 a 1 quando o relógio marcava exatos 37 minutos do primeiro tempo. Parafraseando uma canção da animadora de festas Ivete Sangalo, a massa gritava em coro: "Eu sou Galoucura... Loucura... Loucura". A palavra loucura percorria o imenso concreto armado da Pampulha, fazendo arrepiar o mais insensível dos mortais.

Torcida em êxtase, os eternos fregueses pedindo aos deuses para o primeiro tempo acabar e aos 45 minutos uma falta do lado esquerdo da área implacavelmente bombardeada. Tucho - parecia um persistente disco arranhado, mas repetindo um trecho bom de se escutar - cobra a falta com um efeito tão desconcertante pelo alto que o goleiro Gomes toma um pomposo e singular frango. "Deixa de bobeira, deixa de bobagem, já virou sacanagem", esbalda-se mais uma vez em versos populares a massa atleticana.

Terminado o primeiro tempo, se fosse possível escutar os sofríveis torcedores e jogadores do lado invertido, o que se escutaria por certo seria um demorado ¿ufa¿. O zagueiro Cris, que foi fintado no primeiro gol do Atlético e que provavelmente deve ter bailado com Tucho no segundo, encaminha-se para o vestiário destilando a conhecida prepotência - filha da escorregadia inveja - comum aos irmãos siameses que dirigem o pobre clube ao avesso: "O time deles é muito ruim". Sim, claro, o placar do Mineirão avalizava o zagueiro... avalizava a pegar a primeira ambulância com destino direto para o Galba Veloso - conhecido hospital psiquiátrico de Belo Horizonte.

Durante todo o intervalo a torcida do Galo carnaviapretaebrancava pelas arquibancadas, cantando o hino mais bonito do mundo e outras canções características de quem está inclinado para a felicidade. No início do segundo tempo o outro time marcou dois gols, os quais não merecem muitos detalhes pelo simples fato de não serem detentores do mínimo de poesia - culpa da áurea arrogante deles.

Mas aos 31 minutos do segundo tempo, o lirismo voltou ao gramado. Soprando a bola com violência, o lateral atleticano Michael cobrou a falta que vez o goleiro Gomes - em tarde também inspirada - soltar a bola nos pés de Alex Mineiro. O atacante apenas teve o trabalho de proporcionar que a bola fizesse o caminho que ela mais gosta de fazer: diretamente para dentro do gol dos seres invertidos.

Observar da arquibancada o semblante dos apaixonados atleticanos no momento do gol é algo de uma lúdica alegria que só podem entender aqueles que vivem esse momento. Estranhos abraçam estranhos, o playboy abraça o menino do morro, a criança abraça os ombros do pai, amigos abraçam amigos, todos na cambaleante sintonia de ter a mesma energia voltada a um mesmo objeto amoroso: o Clube Atlético Mineiro!

O jogo termina. A torcida mais fiel do mundo continua pulando-dançando-cantando nas arquibancadas. O goleiro atleticano Eduardo vai até o meio de campo para consolar um desanimado Rapozão ¿ uma espécie de animador da torcida simpatizante; só não posso dizer que o Rapozão está para o outro time, assim como as pomponetes estão para o Atlético, por que aí já seria bondade em demasia da minha parte. O caminho de casa segue ao som da velha canção conhecida da massa: ¿Vou Festejar¿. Mais arrepios, mais sorrisos e a certeza de que a vida, finalmente, voltou ao normal.

Ouça a primeira sapatada.
Ouça a segunda sapatada.
Ouça a terceira sapatada.
Ouça a quarta sapatada.
E finalmente - ufa! - ouça a quinta sapatada.

Alisson Villa - que participou feliz de todas essas manifestações!


escrito por alisson villa

@ 17:44 caixa de correio: cartas

Segunda-feira, Março 01, 2004




Para bom entendedor, uma mão cheia basta.


escrito por alisson villa

@ 10:19 caixa de correio: cartas


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