Quarta-feira, Outubro 29, 2003
Ponto, ponto, ponto e vírgula;
um adjetivo me classificou
com sua singularíssima ironia.
Desci ao chão como sujeito indefinido,
quase oculto de tão triste.
E mesmo vagando de um predicado a outro,
serei sempre a previsibilidade a anteceder o verbo.
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alisson villa
@ 12:43
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Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Que pouca vida a minha para suportar a sua...
tua alma cerca a minha pele nua...
E no desassossego deste poema vivo
(na lembrança branda de sua sinfonia),
despejo a palavra-mãe da intensa alegria:
Paixão! Paixão! Paixão! Posto que é chama!
Mas se deita à cama,
quem se opõe a aceitar faminto
essa livre e breve troca de infinitos?
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alisson villa
@ 00:40
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Quarta-feira, Outubro 22, 2003
Cativo os olhos de Ana com o mesmo cuidado com o qual os velhos navegadores dedilhavam o céu para não se perderem nas então infinitas águas oceânicas. Por vezes chego a ilhas paradisíacas, de areia branca e um tão esplêndido mar que juro ser de espuma quase doce. Mas também já me vi atracada em portos de madeira apodrecida e um ranço desgostoso no ar que chega a dar ânsia de colocar para fora tudo que intoxica. E assim viajo à vela, levada pelo vento e guiada pelos olhos de Ana, pois se motor existisse, nosso amor seria tedioso e previsível, tal qual a tarde após o dia, o a noite antes do dia.
Acontece que há um lugar no qual sempre navego, mas sempre me perco. Contraditoriamente esse lugar é minha terra natal, meu ventre aberto para a paixão. E por mais que Ana me estique as mãos, em um gesto de quem quer ensinar o caminho, sinto seus finos dedos apontados para meu corpo como se fossem flechas a perfurar meu senso de direção. Então mergulho no corpo dela como se estivesse cego de métodos e seus olhos já não me guiam (pois são muitas as estrelas espalhadas pelo caminho) e é febre o que me domina e chego a lançar tremuras pelo espaço antes mesmo que todo meu corpo se encaixe no seu.
Em um primeiro momento Ana se assusta com meu ímpeto na chegada. Talvez seja medo de que meu corpo entre pelos seus poros e lá por dentro fique para sempre, como uma segunda pessoa a lhe controlar os passos e a escolha do próximo livro a ler. Como se ela já não lesse os meus poetas e eu não comesse os seus pratos e ela não falasse com minha voz e eu não pensasse com sua lógica e ela não deitasse eterna pelos meus campos... Assustada com o início de cada entregar-se, Ana, do alto de sua ingenuidade amorosa, pensa estar pela primeira vez sendo invadida.
Posso aceitar, sim, o decifrar constante do mergulhar nas águas negras que é seu corpo retorcido em desejos. Minha boca naufragada entre suas pernas descobre novos tesouros, civilizações inteiras devastadas por dilúvios. Mas também tenho meus temores. Por isso empunho minha língua como uma arma branca, a me proteger dos exércitos camuflados em seu crespo jardim - campo a hipnotizar desbravadores. Arrisco uma estancada mortal e lhe invado por completa. Sinto ganhar a guerra quando vejo o maremoto que se transformou seu corpo. Na esperança de me salvar da enorme onda que se aproxima, cravo unhas em seus seios, sendo o bastante para seu corpo revirar em gritos e nos lançar desprotegidas ao mar. Morremos afogadas.
O quarto está em luto. Os dois corpos jogados pela cama. É sempre esse silêncio. Gosto dele. Falar o quê? Meu primeiro gesto é partir de onde estou e passear pelo corpo de Ana para sentir o seu-meu cheiro. Ela finge resmungar, como se não gostasse do arrepiar que meu trafegar provoca nela. Então instalo minha cabeça sobre seus ombros e lá adormeço. Durante esse tempo, sinto que ela não se esquece de mim, sei o que ela faz enquanto estou adormecida, pois é ela que avisto a sorrir a vida lá do outro lado de meu sonho...
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alisson villa
@ 21:56
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Texto, foto e cambalhotas: Vítor Freire
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alisson villa
@ 01:24
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Segunda-feira, Outubro 20, 2003
Ouça!
É a chuva cantando
ou você gozando?
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alisson villa
@ 21:19
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Sábado, Outubro 18, 2003

Ela firmou um acordo: quando criança, foi minha babá, me ensinou as primeiras palavras e quais brinquedos eu deveria ganhar no natal, aliás, ela construiu o natal. Na adolescência, como uma mãe descolada, me contou tudo sobre beijos, sexo e relacionamentos, inclusive com imagens explicativas; para facilitar ainda mais, mostrava o padrão da mulher perfeita - sempre tão difícil de encontrar, mas se ela dizia que existia é porque existia, eu é que não procurava direito -, por isso comecei a fumar, beber e vestir as roupas que ela me aconselhava, pois assim seria mais fácil encontrar e estar ao lado das tão desejadas pessoas perfeitas. Depois de adulto, me informava sobre tudo o que eu precisava ser informado e eu acreditava no que ela me contava, pois como poderia questionar alguém me criou? A essa altura eu já possuía consciência suficiente para saber que toda manifestação artística de qualidade deveria ter o seu carimbo, então consumia os filmes, as peças e os discos que ela indicava. E durante a velhice, tive a certeza de ter vivido a vida certa, pois chegara até ali inteiro, pleno de que havia feito tudo o que ela mandara. A única coisa que não compreendi, nem mesmo momentos antes da minha morte, é o que ela ganhou com esse acordo...
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alisson villa
@ 15:41
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Sexta-feira, Outubro 17, 2003
Parte VI - Final
No dia de sua morte, um sábado de sol persistente, acordou bem disposto e alegre. Decidiu visitar sua mãe no asilo, afinal, já fazia um ano que a internara e, como um filho único dedicado, precisava ver como era a condição do lugar, visto que escolhera o asilo por meio de fotos e informações retiradas da Internet.
O lugar não era exatamente como as fotos mostravam. Entretanto, o mal cuidado jardim da entrada foi o grande e único motivo de revolta por parte de Lucídio, por se tratar de uma negligência estética absurda. Não desejava que a fachada do asilo onde sua mãe residia transmitisse uma má impressão a quem passasse pela porta. Reclamou com o gerente, que prontificou-se a explicar o projeto Flores da Terceira Idade, no qual os velhinhos iriam cuidar dos jardins e canteiros de todo asilo. "Minha mãe deve estar feliz" - ele pensou sem cogitar outra possibilidade.
A enfermeira levou Lucídio até o quarto de sua mãe. Ele achou o máximo vê-la chorar quando o reconheceu entrando pela porta. Abraçaram-se e conversaram por meia hora. Ela pouco tinha a dizer de sua vida ali dentro, ao contrário dele que contava sobre as viagens e os trabalhos que vinha fazendo. Antes de ir embora teve que prometer à mãe que não demoraria tanto tempo para visitá-la. Mais lágrimas maternas e outro sorriso de satisfação de Lucídio.
Saindo do asilo, resolveu telefonar para a namorada. Ela atende com voz de sono, mas logo desperta quando reconhece a voz de Lucídio. "Você parece nervosa". Ela explica ter se assustado com o telefone tocando logo tão cedo e que a voz de homem que ele jurava ter escutado era a televisão. "Mas você não acabou de acordar"?. Aceitou a desculpa de que ela dormira com a TV ligada e de que não poderia encontrar com ele porque havia marcado salão para as 11.
Decidiu voltar para casa e pedir comida japonesa. Colocou um disco do Chico Buarque e quando arrumava os talheres sobre a mesa, sentiu uma forte dor no braço esquerdo. Sentou já quase sem ar no sofá. E enquanto sua mãe continuava chorando no asilo, sua namorada transava novamente com o amante e a ex mulher dava a luz a outro filho, Lucídio morria com um enfarte fulminante nos acordes finais de Deus Lhe Pague.
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alisson villa
@ 13:41
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Quinta-feira, Outubro 16, 2003
Parte V
Somente depois que passou a ganhar melhor com a promoção na empresa, Lucídio pôde comprar um carro. Antes desse acontecimento (destacado por ele como "o dia em que ganhar mulher ficou mais fácil") andava apenas de ônibus. E para passar o tempo, gostava de observar pela janela das lotações as pessoas andando pelas ruas.
Nos homens, ele reparava se as roupas eram alinhadas ou bregas, se os cortes de cabelo combinavam com os formatos dos rostos e se o andar era desengonçado ou grave. Depois de feita essa rápida análise, ele traçava um perfil do que imaginava ser a vida daquele indivíduo. Perambulavam pela mente de Lucídio desde pais de família reprimidos pelas esposas até maníacos sexuais devoradores de crianças. Porém, o estereótipo que mais vezes aparecia era o do bêbado, desempregado, morador de favela, que bate na esposa e nos filhos.
Mas o que ele realmente gostava de observar eram as mulheres. Praticamente as dissecava com o olhar, analisando suas roupas, os cortes de cabelo e principalmente as partes do corpo. Sabia pescar como ninguém, em meio a multidão de pessoas, as mais belas coxas, bundas e seios. E se com homens fabricava perfis de vida, com as mulheres sua imaginação deitava à cama e descrevia como cada uma gostava de transar: ¿Essa gosta de dois ao mesmo tempo¿. ¿Aquela loirinha gosta de apanhar¿. ¿Com certeza ela é lésbica e não perde a oportunidade de se aproveitar das amigas quando estão bêbadas¿.
Outra brincadeira inventada para passar o tempo, enquanto o ônibus seguia viagem, era escolher a cada quarteirão uma mulher diferente que gostaria de transar. Mas caso não visse nenhuma que valesse a pena, nem mesmo em imaginação, perderia as escolhidas anteriormente. Como levava a brincadeira muito a sério, por vezes vazia a concessão de imaginar-se transando com uma mulher feia para não perder as beldades escolhidas nos quarteirões passados. Mas ele não desistia facilmente e muitas vezes foi flagrado contorcendo a cabeça ao máximo para tentar achar a melhor opção no meio dos passantes.
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alisson villa
@ 11:38
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Quarta-feira, Outubro 15, 2003
Palavra colorida
(psicodelia da língua)
vogais tomando ácido
a ver consoantes trepando;
o verbo descansa na rede
e os adjetivos não classificam ninguém;
hiatos preenchem o vazio lendo um livro:
Gramática do saber anárquico
Tudo calmo, tudo tranqüilo
na comunidade hippie do léxico
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alisson villa
@ 11:03
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Terça-feira, Outubro 14, 2003
Parte IV
Ótimo em matemática, Lucídio odiava dar cola. Quando assim fazia, passava as respostas erradas. Adorava ver a cara dos colegas, certos de uma boa nota, recebendo um zero redondo. Como geralmente apanhava dos colegas quando descobriam que ele havia tirado a maior nota da turma, não cultivava muitas amizades. Um dos poucos que o suportava, talvez por não precisar de suas colas, era Adamastor. Mesmo assim, Lucídio sempre arrumava alguma forma de constranger o amigo, fosse acusando-o de quebrar o vaso chinês de sua mãe ou dizendo para as garotas que Adamastor gostava de olhar os homens trocando de roupa nos vestiários.
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alisson villa
@ 11:42
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Segunda-feira, Outubro 13, 2003
Parte III
Lucídio foi casado com Lúcia durante 11 anos. A conheceu no jantar de aniversário do Souza (que mais tarde confessou ter programado apresentá-la a um outro amigo, por isso a crise de gastrite - que sempre o atacava quando algo planejado com afinco saia errado - no momento em que viu Lucídio cochichando no ouvido de Lúcia que ria como uma hiena).
Um ano depois já estavam casados. Tentaram ter filhos, mas nada dela engravidar. Especialistas não conseguiam resolver o problema. Lúcia era quem ficava mais deprimida, pois pensava que o problema era com ela. Lucídio não ligava muito.
- Nosso filho vai chegar quando Deus achar que é momento certo ¿ ele dizia para consolá-la, ignorando totalmente o fato de ser ateu.
Moravam em um apartamento de dois quartos na Savassi, bairro de classe média de Belo Horizonte. Após alguns anos de tentativas frustradas, Lucídio transformou o quarto do filho que nunca vinha em uma pequena sala de televisão. Era o lugar onde passava a maior parte do tempo. Assistia seus adorados filmes de western, jogos de futebol, programas dominicais e só lembrava de Lúcia quando estava com fome ou alguma cena mais picante lhe excitava.
Separaram-se quando Adamastor, amigo de infância de Lucídio, contou à Lúcia que seu marido escondia a operação de vasectomia feita há mais de 15 anos porque odiava a idéia de ser pai. Ainda descreveu como ele se referia às crianças: "Anões débeis mentais". Hoje Lúcia e Adamastor são casados e pais de 5 filhos.
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alisson villa
@ 12:06
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Sexta-feira, Outubro 10, 2003
Parte II
Não era o fim da fome mundial, nem um harém com mulheres suculentas, nem mesmo dez milhões de dólares na conta bancária. Se pudesse escolher, o que Lucídio mais desejava naquele momento era poder mijar. Mas como estava no meio da reunião que decidiria seu futuro na empresa, não poderia dizer com naturalidade que iria ao banheiro.
Sua cabeça trabalhava: "Se disser que preciso ir ao banheiro vão achar que sou descontrolado, que não consigo controlar minha urina, quiçá o setor financeiro de uma multinacional. Conheço bem essas pessoas. O Souza, por exemplo. Quer pessoa mais sistemática que o Souza? Não duvido nada que no dia de sua promoção a diretor de vendas ele tenha cronometrado quanto tempo passava entre uma mijada e outra, para conduzir a reunião de modo a não extrapolar esse tempo. E o Noberto? Esse aí é raposa velha, vive assediando a secretária da presidência, mas nas festas de final de ano faz questão de posar de bom marido ao lado da esposa. Maldita vontade de mijar! Por que não fui ao banheiro antes? Culpa dessa merda de trânsito a me atrasar a vida. Entrei voando na sala, todos já estavam sentados, menos o Adalto, porque esse filhinho de papai tem mil privilégios. Ele seria vice-presidente se não fosse primogênito do Rubens? Não! É muito burro para o sr. Rubens colocá-lo no cargo por simples competência..."
Lucídio resistiu bravamente. Mas como concentrara todas as forças para as águas não descerem pela calça abaixo, não soube argumentar quando deram o cargo para outro funcionário. E já no banheiro, enquanto despejava seu precioso líquido, Lucídio atinou que na verdade era o grande vencedor daquela reunião, pois conseguira controlar sua mais selvagem necessidade humana. Não tinha dúvidas que na próxima oportunidade ganharia a vaga.
Enquanto divagava sobre seu futuro promissor, ele viu a porta do banheiro abrir violentamente. O funcionário que ganhara o cargo de diretor financeiro em seu lugar voou como um foguete para a cabina do vazo sanitário. Lucídio viu sua vida desmoronar. "Por Deus! - pensava - O homem está defecando!"
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alisson villa
@ 16:44
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Quinta-feira, Outubro 09, 2003
Certa vez, no jardim de infância, a minha querida professora disse a toda classe que podíamos atravessar a rua contentes e despreocupados pela faixa de pedestres. Se bem me lembro, ela disse até mesmo algo sobre ser tão seguro que podíamos dançar sobre a faixa.
Mais tarde, ao chegar em casa, contei a história para minha mãe. Ela, séria como nunca a vi, deu o melhor conselho que já recebi em toda a minha vida:
"Ao atravessar lugares perigosos, olhe muito bem para os dois lados".

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alisson villa
@ 17:26
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Quarta-feira, Outubro 08, 2003
Parte I
Depois do enfarte fulminante que o matara aos 43 anos, Lucídio passava toda eternidade salivando por uma porção de torresmo e uma cerveja gelada. No entanto, no pequeno mundo de seu caixão não sobrava espaço para botecos. Apenas alguns vermes lhe faziam companhia. Sabia que era preciso reivindicar, lutar por seus direitos, mas Deus não aparecera até o momento. E os vermes a degustar seu braço.
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alisson villa
@ 18:34
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Segunda-feira, Outubro 06, 2003
Já mostrei a cara, pediram meus pés, então aí está.
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alisson villa
@ 23:56
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Antes de nascer somos todos peixes. Vivemos em uma caverna escura, tomada por água. Na verdade, nessa fase, somos uma pequena baleia, que não respira dentro d¿água, mas vive dentro dela. Então chega o dia em que aquela caverna fica pequena demais. Menor, ao contrário do que muitos pensam, para as ambições do que para o corpo. Queremos andar, conhecer outras pessoas, comer papinhas, andar de bicicleta, lutar judô, ganhar um beijo, chutar a bola. A caverna não lhe cabe ou você que cresceu demais?
No entanto, acumulamos massa, os ossos crescem, as unhas ganham cor, a boca também. A bicicleta, que um dia perdeu a rodinha, com seu pai emocionado ao ver o filho seguir a rua sem seu apoio, já não suporta suas responsabilidades. Aquele bairro está pequeno ou você cresceu demais?
Estudar à noite. Passar na prova. Escolher um curso. Conhecimentos específicos de especificamente quase nada. Somos adultos? Temos um carro. Transamos a noite toda. Não tenho tempo para perder tempo, o relatório sai na sexta. Pra que angústia? Não conquistamos tudo? O que há de novo? Aquele mundo está pequeno ou foi você cresceu demais?
54321... Está no espaço. A terra azul? Astronautas já moraram dentro de uma caverna com água. Mas era apertada. Astronautas já jogaram bola com o vizinho. A gol diminuiu. Astronautas já viajaram de um continente ao outro. O mundo encolheu. Astronautas estão entre as estrelas. O céu é o limite ou você continua crescendo?
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alisson villa
@ 10:45
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Sexta-feira, Outubro 03, 2003
O ponto antecede o fim,
a vírgula o recomeço:
seria o ponto o ceticismo e a vírgula a fé?
Depois do ponto coloca-se letra maiúscula,
depois da vírgula minúscula:
seria o ponto megalomaníaco e a vírgula humilde?
Idéias são encerradas pelo ponto,
detalhes acrescidos pela vírgula:
seria o ponto a ignorância e a vírgula a cultura?
Gordo e pequeno é o ponto,
magra e alta é a vírgula:
seria o ponto um sedentário e a vírgula uma atleta?
O ponto é um sinal,
a vírgula também:
ambos seriam lados opostos da mesma moeda?
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alisson villa
@ 10:02
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Quinta-feira, Outubro 02, 2003
Para não dizerem que eu nunca dou as caras, aí está uma foto minha.

