Quinta-feira, Julho 31, 2003


Incisão número 4: Quase tudo


Tenho meia alma, meio sonho, meio chão;
tenho quase tudo, tenho um pouco de esbarrão;
tenho meia reza libertando meio inferno;
tenho meio amor que me deixa quase terno;
tenho meia carta maldizendo meia história;
tenho meia luta de uma guerra irrisória;
tenho meio gozo de uma transa ideal;
tenho o preto e branco de um quadro surreal;
tenho meio riso que é um pouco de verdade;
tenho amor inteiro a me deixar pela metade;
sou meio concreto, meia pedra e fachada;
sou um quase tudo que juntando é todo o nada.


escrito por alisson villa

@ 09:58 caixa de correio: cartas

Terça-feira, Julho 29, 2003


Music -The Red Orchestra -The Seven Arts - Salvador Dalí



Amor surreal


Minha língua a dedilhar seu corpo
compõe microfonias...
(alguns chamam gemido; sustenido canto para outros)
A mim importa apenas que acompanhe o entrelaçar das pernas
no descompassado misturar dos líqüidos:
suor, soar, entre pernas, esperma,
eterna boca desmanchando à sua, soa, suar, surreal amor,
inacabável pintura de Dalí.


escrito por alisson villa

@ 23:46 caixa de correio: cartas

Segunda-feira, Julho 28, 2003


Dicionário Lúdico Brasileiro V


Cadarço - 1. Arame sem espinhos; 2. Sobremesa de gaviões; 3. Acordoamento para instrumentos feitos de lata; 4. Ponte para formigas (Ex.: "Quando atravessavam o último cadarço, o pânico tomou conta das formigas ao avistarem lá do céu uma vassoura aproximando-se rapidamente..." in: A travessia do quarto, de nnn).

Poesia - 1. Eco existente dentro do corpo dos caramujos; 2. Forma líqüida dos sentimentos; 3. Palavra dada a cambalhotas; 4. Suspiro para dentro; 5. Estalada sinfonia dos móveis pela noite (Ex.: "E a cada poesia iniciada, Clarice afundava assustada a carinha para debaixo dos cobertores..." in: Entre as cores a mais calada, de Ingrid).


escrito por alisson villa

@ 20:53 caixa de correio: cartas



"...Ve, como lo sabía yo, tengo lo que tu kieres, ve, como lo sabía yo, tengo lo que tu kieres, sepa que lo tengo todo en regla, sepa, que las cuentas no me kiebran..."


escrito por alisson villa

@ 01:27 caixa de correio: cartas

Domingo, Julho 27, 2003


Incisão número 18: Aceitação


Gargalho
Sorrio
O rio que passa triste


escrito por alisson villa

@ 03:58 caixa de correio: cartas

Sábado, Julho 26, 2003


Simpatias por uma vida menos ordinária V


Mandinga para escrever melhor:

Compre um dicionário. Compre uma enciclopédia. Compre também um livro sobre estudos da arte. Por fim, uma caneta e um caderno sem pauta. Transcreva para o caderno o significado dado por cada uma das publicações às palavras: transa, planeta, manteiga, unha, lábio, tristeza e fogo. Depois, escreva à sua maneira, o que cada uma dessas palavras significa. Se escrever como o dicionário, poderá ser um bom jornalista; se o estilo mudar para o da enciclopédia, terá sucesso com monografias; e, enquanto, estiver escrevendo como os estudos da arte, não passará de um escritor comum e frustrado. Tome vergonha na cara e invente suas próprias palavras.


escrito por alisson villa

@ 16:06 caixa de correio: cartas

Sexta-feira, Julho 25, 2003


Manchetes


Ecos se rebelam e mudam o sentido da frase
Poemas fazem greve por melhores metáforas
Atônita, Aliteração acaba abandonada em aterro afastado de Anápolis
Verbo inacabado tumultua vida de predicado
Música afônica ensurdece formigas
Mais uma geleira estuprada pelo sol
Tempo pára e relógios perdem emprego
Sol e Chuva assumem paternidade de arco-íris
Adjunto Adverbial de Lugar desaparecido há três meses
Girassol apaixona-se por lua cheia
Fuga de Bach mobiliza polícia
Manchete anuncia fim do poema


escrito por alisson villa

@ 09:40 caixa de correio: cartas

Quarta-feira, Julho 23, 2003


A Metamorfose


Uma manhã, ao despertar dos melhores sonhos já sonhados em toda sua vida de dorminhoca, Juliana Conto Réis deu por si na cama transformada num gigantesco poema. "Melhor do que Gregor Samsa que acordou barata", pensou a garota enquanto esfregava as suas jabuticabas, que eram a metáfora usada para os seus olhos (o poeta só a conhecia por fotos escuras, nas quais seus olhos escondiam-se por detrás da penumbra, arriscou olhos negros sem o menor medo, pois poema pode errar - notícia essa que, aliás, animara ainda mais Juliana Réis). De um verso ao outro ela soltou da cama e viu-se diante do espelho todinha rimada. Seus cabelos eram um agitado rio avermelhado pelo reflexo do sol em seu leito. Suas pequeninas mãos foram roubadas de um poema de e. e. cummings, causando inveja na chuva que escorria pelo vidro da janela do quarto e gemia baixinho: "Mas outras mãos menores que eu?". A barriga era leite ainda quente, o umbigo redemoinho, onde para dentro escorriam aliterações sobre a gênese da vida: "...nada nasce nevoa na natureza...". Ao desejar ser lida por homens de vozes graves e imponentes, suas estrofes tremeram bambas. E ainda diante do espelho, procurava atônita algum verso sobre seus sentimentos. Só foi encontrar no final, onde estava escrito: "Tenho em mim, o extremo desejo da alegria / mas há alguém para rimá-lo em meu dia?".


escrito por alisson villa

@ 18:32 caixa de correio: cartas


So-le-tran-do


Ontem à noite, soletrei baixinho o teu nome no escuro. Contam que as estrelas aproximaram-se da janela do quarto para escutar melhor. Contam... mas não se deve acreditar em tudo que dizem por aí. Principalmente quando não se sabe quem conta o quê. Pois bem, como ia dizendo, soletrei o teu nome umas seis ou oitenta vezes, afinal, a prática nos leva à perfeição. E posso abrir o direito de me gabar, pois estou com a forma de soletramento tão invejável, que uma música caribenha soltou da vitrola do vizinho para, despejada no cantinho do quarto, passar a ser minha ouvinte. Mas voltemos ao que estava explicando. Soletrava teu nome quando almas noturnas atravessaram as paredes do quarto e, paradas na cabeceira da cama, observavam meus lábios a moldurar suas sílabas. Dado meu ceticismo desenfreado, não cogitei sequer um simples arrepio de temor. Continuei a soletrar teu nome no escuro, apesar das aranhas venenosas que desciam do teto, penduradas em suas finas teias, prontas a escutar minha voz trabalhando. A pobre mosca, grudada na eficiente armadilha aracnídea, poderia ser degustada mais tarde. Agora estava, já disse, soletrando teu nome quando um assaltante abriu subitamente a porta do quarto. Arma em punho, se não me engana a penumbra, apontada para minha boca. Sobre terríveis ameaças, continuem a soletrar teu nome, envolto por um gelado vento a torturar cruelmente meu nariz com frias estocadas. Soletrado, teu nome ganhou contorno nas asas das 574 borboletas que pintavam de arco-íris o teto do quarto.

E assim, por toda noite, enquanto soletrava teu nome, todas as espécies de animais, todos os tipos de astros celestes, toda sorte de monarcas ou mesmo todos os tipos de seres fantásticos, passaram pelo meu quarto. Entretanto, como uma coreografia laboriosamente ensaiada, quando um deles terminava de ouvir a última sílaba do teu nome, colocava-se a marchar em direção à tua casa, sem ao menos perguntar se você estaria também a soletrar meu nome ou ignorava totalmente minha literária paixão.


escrito por alisson villa

@ 09:24 caixa de correio: cartas

Terça-feira, Julho 22, 2003


Simpatias por uma vida menos ordinária IV


Mandinga para renascer a fé

De nada adianta ajoelhar-se em grãos de milho. Isto é coisa para os mais experientes. Primeiro leia o capítulo do Gênesis. Surgirão as velhas dúvidas: quem criou Deus ou se os filhos de Adão e Eva transaram entre si para dar continuidade à espécie. Não lhes dê ouvidos, pois são de uma ingenuidade poliânica. Filósofos fazem questionamentos muito mais profundos no campo da metafísica e assim mesmo não chegaram a lugar algum. Suas dúvidas não são dignas. Quando já estiver suficientemente alienado a ponto de não se indignar com, por exemplo, o machismo das escrituras sagradas, tente então ajoelhar-se no milho. Verá como a dor terá melhor aceitação. Isto já é a fé.


escrito por alisson villa

@ 15:00 caixa de correio: cartas

Segunda-feira, Julho 21, 2003


Beijo


Se não soubéssemos quão cálido é o encontro das bocas entreabertas, talvez não teríamos filhos e a vida na Terra limitaria-se apenas à primeira geração. Se não soubéssemos quão sincronizado é o bailar das línguas a invadir cavernas escuras e úmidas, talvez não daríamos mais nenhum passo e as ruas ficariam repletas de estátuas com feições retas. Se não soubéssemos quão enraizados são esses morderlábios de sangrar por dentro, talvez o sono fosse maior e nunca mais sonharíamos acordados. Se não soubéssemos quão íntimo é o dedilhar em plumas os contornos da boca, talvez fecharíamos as cortinas e aceitaríamos a noite eterna pelos cômodos. Mas se soubéssemos quão absurda é a gangorra do encontro incerto, talvez já tivéssemos mirado nossas bocas e disparado vida, pólvora e saliva.


escrito por alisson villa

@ 21:21 caixa de correio: cartas


Carteado


O escritor está morto,
corpo inclinado na cadeira.
Soltas idéias esparramadas pelo chão
impregnam a sala com aroma de vida.

O escritor está esparramado
corpo inclinado a idéias.
Vida solta pelo chão
impregna a sala com cheiro de morte?


escrito por alisson villa

@ 14:20 caixa de correio: cartas

Domingo, Julho 20, 2003


Os seres desumanos


No bueiro da esquina mora um rato e na esquina do rato mora muita gente. As pessoas tem nojo do rato e o rato não compreende as pessoas. As pessoas acusam o rato de ser rato e por isso nojento, porém autêntico. Já o rato acusa as pessoas de serem ratos e por isso atraentes, porém, falsas. As pessoas não suportam o rato e o rato tem pena das pessoas.


escrito por alisson villa

@ 23:55 caixa de correio: cartas


Paulinho da Viola


Ver o show do Paulinho da Viola em São João Del Rey foi o mesmo que passar um algodão branquinho em todo o meu stress.


escrito por alisson villa

@ 16:29 caixa de correio: cartas


Para ver as meninas


(Paulinho da Viola)

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco a dor do peito
Não diga nada sobre meus defeitos
Eu nem me lembro mais
Quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor assim descontraído
Quem sabe de tudo não fale
Quem sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito


escrito por alisson villa

@ 16:28 caixa de correio: cartas

Sexta-feira, Julho 18, 2003


Não mesmo?



I try to laugh about it
cover it all up with lies
I try to laugh about it
hiding the tears in my eyes
'cause boys don't cry



escrito por alisson villa

@ 15:00 caixa de correio: cartas


Momento Atum Nº51564161


Diálogo Real:

-O que você fez para vender pós-graduação ontem?
-Fiz matérias, cartas sobre os cursos, montei o boletim...
-E hoje? O que você vai fazer para vender pós?
-Eu escrevo, escrevo, eu só escrevo, não vendo os cursos, eu ajudo, escrevendo, escrevendo...

Diálogo Atum:

-O que você fez para vender pós-graduação ontem?
-Eu? Bom, eu chamei um cardume de atum pra dançar no meio da praça da Savassi.
-Mas como isso pode ajudar a vender pós?
-Ora! Estavam todos vestidos com a camisa da empresa! Você precisava ver que gracinha a abertura do lado pra água entrar nas guelras e tal.

Diálogo Surreal:

-O que você fez para vender pós-graduação ontem?
-Pêssego.
-Ãn?
-Eu fumava um charuto e então ela aparecia, deslumbrante, naquele vestido vermelho...

Diálogo Charles Bronson:

-O que você fez para... (bum, bum, bum, paft, orgt, ahhhhh)

Diálogo Poliana:

-O que você fez para vender pós-graduação ontem?
-Eu andei de casa em casa distribuindo os folders institucionais que eu carregava nas costas. Também fiquei na empresa até 2 da manhã ligando para os nossos clientes. Além disso, eu encerei o chão e lavei a geladeira.
-Você sabe que não fez o suficiente, né?
-Sim, eu sei. Desculpa.


escrito por alisson villa

@ 09:49 caixa de correio: cartas

Quinta-feira, Julho 17, 2003


Post-casadinho

Quadrilha 2003


João desenhava na areia o nome de Teresa
que formava com as estrelas o rosto de Raimundo
que roubava flores do vizinho para Maria
que cozinhava gostosuras para Joaquim
que compunha serestas para Lili
que dormia sossegada sem ligar pra ninguém.

João foi para o deserto, Tereza para Saturno,
Raimundo despencou do alto de uma seringueira, Maria montou uma cadeia de restaurantes,
Joaquim enforcou-se com a corda do bandolim e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que ficou sabendo que ela estava sozinha lendo uma biografia do Drummond


escrito por alisson villa

@ 00:30 caixa de correio: cartas

Quarta-feira, Julho 16, 2003


Incisão número 6: Sexo


A língua espera o momento certo,
perto do sexo aninha-se como cobra
não sobra espaço para a palavra
crava teu corpo úmido na coxa morna
torna o momento estátua em movimento serpente
sente o cheiro quente da flor se abrindo
e a flor recebe a língua com seu clitóris sorrindo!


escrito por alisson villa

@ 15:12 caixa de correio: cartas

Terça-feira, Julho 15, 2003


Dicionário Lúdico Brasileiro IV


Criança - 1. Inverso de cinza; 2. Diz-se daqueles que fabricam cata-ventos.; 3. Dependência química por chocolates; 4. Capsula do coração onde se aloja o amor (Ex.: "Bastava escutá-lo cantando She's Leaving Home com seu inglês ludicamente engraçado para sua criança transbordar de tanto amor..." in.: Um dia na vida, de Julie)

Atleticano - 1. Ter inclinação à eternidade; 2. Entregar-se à paixão pela livre alegria de se apaixonar; 3. Ter os olhos roucos de lealdade; 4. Indivíduo que canta sob a chuva (Ex.: "E mesmo com o temporal varrendo o domingo, todos queriam sair para festejar o dia, pois eram em sua maioria atleticanos..." in: Uma vez até morrer, Diguinho)


escrito por alisson villa

@ 21:55 caixa de correio: cartas


Ai de mim


Ai de mim que mal entendo como um papel de todo branco aceita em paz a ponta fina da caneta a descarregar tintas em traços coloridos pelo seu virgem corpo. Aí de mim que mal entendo como o sol não desaba lá do alto, como o cometa do espaço, como o pão com manteiga da mesa ou como a criança do balanço. Ai de mim que mal entendo como a boca mostra os dentes sem dizer uma palavra, em um controle - por que não dizer - instintivo, mas que algum dicionarista resolveu chamar sorriso. Ai de mim que mal entendo tanta gente andando lá na rua, se mal conhecemos a esquina que dobra dentro da gente. Ai de mim que mal entendo como os livros ainda não dominaram o mundo em uma revolução na qual páginas de clássicos da literatura decepam as cabeças dos chefes de estado. Ai de mim que mal entendo como tanta gente suspira ao mesmo tempo no mundo sem formar um catastrófico furacão a derrubar casas, pontes e lagartas das folhas verdes das árvores. Ai de mim que mal entendo como um parafuso pode viver tanto tempo dentro de um buraco escuro e mesmo assim sair girando alegremente quando retirado de lá. Ai de mim que mal entendo equações, cursos, queimaduras e temperaturas de terceiro grau. Ai de mim que mal entendo como tanta lâmpada acesa pelo planeta ainda não atraiu um gigante mosquito de luz do espaço. Ai de mim que mal entendo como sete notas musicais, sete cores e vinte e seis letras são suficientes para compor infinitas obras de arte. Ai de mim que mal entendo como um avião não se apaixona por um passarinho, assim como um submarino por um peixe. Ai de mim que mal entendo por que a soma de um lápis azul mais um lápis verde é maior que um único lápis vermelho quando eu apenas queria desenhar o fogo. Ai de mim que mal entendo o fato da música tocar melhor no coração que no ouvido. Ai de mim que mal entendo a dor do girassol durante o eclipse. Ai de mim que mal entendo como os peixes não saem nadando para o céu quando chove. Ai de mim que mal entendo como acaba-se um texto que não se sabe como começou. Ai de mim que mal entendo o lenço sugar tanta lágrima e não parar melancólico no alto de um edifício ameaçando pular. Ai de mim que mal entendo que medo da noite é esse a fazer o dia parar lá no Japão, retornando apenas quando ela vai embora. Ai de mim que mal entendo Deus estar em todos os lugares, saber de tudo e ser ao mesmo tempo tão paciente. Ai de mim que mal entendo como o silêncio diz tanta coisa a quem pensa na vida. Ai de mim que mal entendo, ai de mim...


escrito por alisson villa

@ 01:03 caixa de correio: cartas


Ali um dia...


(Poema docemente presenteado pela Claudinha)

De noite quando fico triste,
às vezes me lembro das festas
em que nos embriagamos até
morrer de rir.
Das coisas sem nexo,
dos livros, das cores, das músicas,
dos bares, das festas escuras, das poesias,
das fumaças, das confissões,
dos sonhos iguais, do violão, dos dias frios.
Hoje, depois de tanto tempo,
de tanta coisa doida passada,
outro dia mesmo,
poderia pensar que no mínimo, um
de nós era feliz e sabia.


escrito por alisson villa

@ 00:54 caixa de correio: cartas

Segunda-feira, Julho 14, 2003




Texto: Meu mesmo
Ilustração: Carolina Werneck


escrito por alisson villa

@ 12:43 caixa de correio: cartas




Texto: Meu mesmo

Ilustração: Carolina Werneck


escrito por alisson villa

@ 08:52 caixa de correio: cartas

Sexta-feira, Julho 11, 2003


Momento Atum III


Alguém poderia fazer o favor de ligar aqui para o serviço e dizer para os 4 cantos dessa instituição que se eu tiver realmente que ficar aqui hoje, em plena sexta-feira, até 9 da noite, eu vou com toda certeza virar um atum? Obrigado.


escrito por alisson villa

@ 19:08 caixa de correio: cartas


Simpatias por uma vida menos ordinária III


Mandinga para eliminar pessoas chatas:

Primeiro, tire da cabeça a idéia de armas de fogo. Isso dá prisão! Seja sutil. Palavras ferem mais que uma bala, portanto, escreva em algum lugar público frases de efeito. Sugestões da casa: "Você consegue dormir a noite", ou "Onde mora seu respeito", ou ainda "Cresça, evolua, seja um ser humano melhor". Depois de proferidas, tais palavras vão cravar no coração do chato uma tristeza transatlântica. Aguarde, há sempre quem lhe conte o resultado das mandingas. Entretanto, não se assuste, se no caminhar dos dias, essas frases se encaixarem, como a porca no parafuso, em sua vidinha mais ou menos.


escrito por alisson villa

@ 01:03 caixa de correio: cartas

Quinta-feira, Julho 10, 2003


Imaginação


Duas crianças, sentadas em uma grande pedra, observam o sol se pôr em um horizonte formado pelo beijo entre o céu e o mar. O mais novo explica que sempre anoitece porque o sol resfria-se ao encostar no oceano, perdendo, assim, todo seu brilho. O mais velho tem outra teoria. Para ele, o sol é quem esquenta o mar e a noite só aparece por pura preguiça do astro rei, que decide descansar seus raios nas profundas águas oceânicas.

- A Terra está apenas girando em torno de si mesma.

Os dois olham para a cara do homem que, sentado próximo deles, resolveu dar pitacos na conversa.

- E precisa dizer? Nós aprendemos na escola.

- Então por que falavam aquelas coisas?

- E por que não falaríamos?


escrito por alisson villa

@ 18:02 caixa de correio: cartas


Borboleta para uma Garota Feliz


"Cada vez que um poeta cria uma borboleta, o leitor exclama: "Olha uma borboleta!"
O crítico ajusta os nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante de vida, murmura:
- Ah! Sim, um lepidóptero..."

(Mário Quintana)



E nos olhamos de longe e pensamos uma nuvem e lutamos contra obstáculos invisíveis e pulamos a cerca e pulamos o muro e pulamos o medo e descasamos na grama e a grama se espalha, espantamos formigas e sorrimos um céu e viramos um imã, mas os pólos se atraem e as mãos se encontram e corremos para dentro e dentro é tão longe e as mãos dadas se levantam e é uma borboleta sobrevoando nosso caminho...


escrito por alisson villa

@ 10:30 caixa de correio: cartas

Quarta-feira, Julho 09, 2003


Sem chão, mas por trás seguro um balão!


Eu que muitas vezes invento voltas, cores e barulhos com as palavras, me vi sem chão ao ler você contar, toda simples, sobre um passado que ainda acena ali da esquina. E se eu hoje me perco ao seu lado, sem saber ao certo que palavras vestir, lá no fundo ainda sorrio bêbadas poesias no seu dia...


escrito por alisson villa

@ 15:49 caixa de correio: cartas




Tropeço se não vejo o teu sorriso,
tua alma pela palma roça o corpo liso.

Ingênuo é perder-se nos teus seios,
resmungo pelo mundo os teus anseios.

E a resposta posta a venda é que es minha,
e creio...


escrito por alisson villa

@ 01:47 caixa de correio: cartas

Terça-feira, Julho 08, 2003


Guarda-Chuva entrevista responsável pelo bar A Obra


O bar A Obra com certeza já se firmou como o lugar mais legal em Belo Horizonte para quem quer dançar música boa e atual, encontrar pessoas legais e assistir a shows de bandas interessantes. E para contar sobre os recém completados 6 anos de Obra e as reformas que o lugar passou recentemente, o programa Guarda-Chuva de Tereza vai entrevistar Cláudio Vieira Rocha, o Claudão, um dos responsáveis pelo bar.

O Guarda-Chuva de Tereza de hoje à noite (08/07), às 22h, pela Santê FM (96.1) - vejam que o lead ficou aqui em baixo, mas azar, o texto é meu, eu e o Cristiano é que apresentamos o programa, nós é que escolhemos as músicas que entrarão no quadro a Pior Música da Semana, sou eu quem vai apertar o play pra tocar a versão da banda Smoke City para Águas de Março e outras tantas músicas legais, portando, que se explodam as regras jornalísticas - terá duas horas de duração. Aproveite... para torturar alguém!

Guarda-Chuva de Tereza, todas as terças-feiras, às 22, pela Santê FM (96,1).
Apresentação, produção e danças estranhas na pista da Obra: Alisson Villa e Cristiano Diniz


escrito por alisson villa

@ 10:36 caixa de correio: cartas


Sexo ou léxico


Deitar boca com boca
sexo oral
a procriar orgias gramaticais
como quando declamei:
- Teus oleosos adjetivos lubrificam minhas palavras

E nós gozamos um verso.


escrito por alisson villa

@ 01:25 caixa de correio: cartas

Domingo, Julho 06, 2003


Sorvete de Flocos num Domingo azul


- Oi.
- Oi.

É preciso pensar em algo especial para dizer a esse sorriso que me deixa bambo.

- A lua tem inveja de você.
- O que você disse? - ela pergunta.
- Ãn?
- O que você disse?
-Ah! Nada. Estava apenas pensando alto.

Devo tomar cuidado com essa distração. Viajo naquele sorriso e acabo falando besteira. Já até imagino situações do tipo: "O que você está fazendo levitando?" E eu tendo que responder: "Ah, eu levito sempre que posso, faz bem pra pele..."

- Dentes.
- O que? - ela estava novamente confusa com minhas palavras fujonas.
- Eu disse dentes, né? Pois é... estava apenas lembrando do poema de uma amiga.
- E como é o poema?
- Não lembro direito. Algo do tipo:

"Meu coração está tão feliz
que até mostra os dentes"

- Bem legal!
- Gostou? Não é bem assim, mas o que vale é a intenção, né?
- E quais são as suas intenções?
- Felicidade.
- Felicidade?
- É. Felicidade. Aquele sentimento gordinho, quase azul, que alimenta borboletas e deixa a gente com cara de bobo.
- E como é cara de bobo?
- Sabe a cara que o Charlie Brown faz quando vê a Garotinha Ruiva?


- Sei.
- Pois é essa.
- Ah!

Será que ela percebeu minha cara de bobo? Qual será seu sorvete preferido? Ela tem pés engraçados! Antes pés engraçados que pés introspectivos. Pessoas de pés engraçados, geralmente, gostam de sorvete de flocos.

- Linda?
- Oi?
- Quero dizer...
- Não precisa consertar! Eu não achei ruim. Está um domingo tão azul... vamos tomar sorvete?
- Claro!
- Mas você vai ter que adivinhar qual é o meu sabor preferido.
- Flocos!
- Pôxa! Como você sabia?
- Está escrito no seu sorriso!

É evidente que eu não iria contar sobre seus pés engraçados. Pelo menos por enquanto. Tempos depois, disse a ela que seu sorriso significava algo muito mais especial que um sorvete de flocos num domingo azul...


escrito por alisson villa

@ 23:59 caixa de correio: cartas


Carta II - Em um ano


Em um ano, dá pra pular um carnaval, mas se você morar na Bahia pulam-se 365. Em um ano, os feijõezinhos que você colocou no algodão já cresceram e precisaram ser plantados na terra. E por falar em terra, um ano é o tempo que nosso planeta leva pra virar a esquina do sol e voltar. Em um ano a gente finge que passa por quatro estações, quando na verdade o calor do verão é um ano eterno. Em compensação, após um ano, o recém nascido é uma primavera e o ancião mais um outono. Quinhentas e vinte e cinco mil e seiscentas é o número de voltas que o ponteiro dos minutos dá em um ano sem ao menos ficar tonto. Ao contrário das crianças a rodopiar nas montanhas russas, que uma vez ao ano aparecem em parques itinerantes em Belo Horizonte.

Em um ano, quantas são as gotas de chuva na calha do telhado, no guarda-chuva do velhinho e no coração da gente? Em um ano, quantas mangas amadurecem, além das uvas já azedas? Os pedidos de ajuda, quantos são? E as ajudas não pedidas? E os dentes quebrados? E o trem apitando longe? Tudo em um ano, nem menos nem mais, quantos são?

Em um ano, não mais que algumas horas, não menos que alguns segundos, passar a vida ao seu lado não é ter tudo isso explodindo em felicidade?


escrito por alisson villa

@ 13:22 caixa de correio: cartas


Objetos encantados para o sono

Abri o velho baú de magia da família Villa a procura de fórmulas e objetos encantados que façam o sono melhor. Entre os badulaques, pesquei:

- Um frasco vazio de perfume onde está escrito: "teu sono refresca a noite".
- Uma pequena pedra lisa, de cor esverdeada, que rola silenciosa sobre o lençol
- Um pedaço rasgado de papel com um poema pela metade: "Traço no espaço um redemoinho/você, desarmada, se deixa levar/como inútil movimento que desdobra..."
- Os mais belos modelos de laços para vestidos de crianças.
- Jazz tocando em um bar tão longe que não existe.
- Suco de laranja gelado sobre a mesa a esperar que alguém o tome.
- A oração do singular momento solitário: "Cala-te olhos, que não quero me ver/A solidão necessária alimenta/não destrói/o invisível me possui/o pensar é quase nada.../Vaga/sozinho/que o caminho é qualquer um".
- Novelos de lã ainda frescos por dentro
- Latas cheias pelo lado de fora
- Tampinhas e mais tampinhas...


escrito por alisson villa

@ 01:35 caixa de correio: cartas

Sábado, Julho 05, 2003


Alguma companhia pra ir ao Mineirão assistir Atlético e Paysandú? ...... (silêncio) ...... tudo bem, eu vou solitariamente junto com outros milhares de atleticanos...


escrito por alisson villa

@ 14:29 caixa de correio: cartas

Sexta-feira, Julho 04, 2003


Simpatias por uma vida menos ordinária II


Mandinga para ser um pouco mais paciente:

Pegue duas blusas de seda amarrotadas e comece a passar. Seja perfeccionista. Não esqueça da gola. Se levar menos de 30 minutos com cada camisa, sua alma será comida por gafanhotos. Depois de terminado, coloque as blusas com cuidado por debaixo do lençol da cama e chame seu parceiro para transar. Quando estiverem quase gozando, pare a transa, retire as camisas e vá passá-las novamente. Repita essa operação até seu parceiro ficar puto e terminar com você. Nesse dia, vista a camisa (amarrotada, é claro), coloque-se de frente para o espelho e fale três vezes: ¿Não sou tão bom assim¿. Um anjo vai aparecer na sua frente e dizer: ¿Você acaba de ganhar o dom da paciência¿.


escrito por alisson villa

@ 17:46 caixa de correio: cartas


4 de Julho - Dia da Dependência Mundial





"Eu tremo por minha pátria, quando me dizem que Deus é justo" - Thomas Jeffeson (frase retirada do ótimo site do Millôr)


escrito por alisson villa

@ 09:42 caixa de correio: cartas

Quinta-feira, Julho 03, 2003


O Monstro do Lago Municipal ou A descoberta do carinho


Em uma conversa fantasiosa com meu avô (fantasiosa porque ele já foi ter com nuvens altas, diálogos sobre pássaros), fui informado por esse sábio senhor de cabelos brancos e bochechas caídas que Belo Horizonte já teve seu Monstro do Lago Ness. Entretanto, o monstro mineiro ganhou outro lago em seu nome. Era o Monstro do Lago Municipal, porque morava, naturalmente, nas águas do Parque Municipal.

Antes de prosseguir com a história, segue um importante alerta cheio de nãos: não duvidem da minha história. Não sejam secos o bastante para contestar a conversa fantasiosa entre um avó e um neto. Não tenham a visão subdesenvolvida de que nosso país não pode ter um mostro como o dos escoceses. E, por fim, não digam tantos nãos ou poderão morrer solteiros.

Pois bem. O monstro foi visto pela primeira vez em 1943. Um casal de namorados preparava um beijo (pois naquela época beijar exigia todo um ritual) quando a garota soltou um grito: "Arrrrggggg!!!" (se for de difícil compreensão, imaginem vocês mesmos um grito, desde que seja aterrorizante) O rapaz saiu correndo e o namoro terminou naquele mesmo dia. A carteira de habilitação namorística ganhou o seguinte carimbo: "Demitido por justa causa do coração de Dolores devido a excesso de covardia".

Com o passar dos dias, foi crescendo o número de curiosos que queriam ver o tal bicho e o Parque Municipal foi invadido por toda sorte de pessoas: crianças equilibravam-se nos ombros dos pais, pesquisadores passeavam sobre o lago com balsas repletas de penduricalhos para pesquisa e até mesmo poetas desbotados em busca de inspiração. Havia também ambulantes vendendo camisetas estampadas com uma possível foto do monstro. Possível, pois, assim como seu colega escocês, o monstro mineiro era tímido e não queria se mostrar para qualquer um.

- E o senhor viu o Mostro do Lago Municipal? - perguntei, esperando uma resposta negativa. Mas qual não foi minha surpresa ao ouvir relatos de uma conversa entre um homem e um ser estranho aos nossos conhecimentos. Sim, meu avô não apenas viu, como também conversou com o monstro.

- E o que ele disse?

- Bem, a conversa foi breve. Ele disse três coisas. Primeiro perguntou: "Você acredita mesmo que eu existo"? No que eu respondi prontamente que sim. Depois ele contou que gostava das pipocas que jogavam no lago, mas tinha preferência pelas doces. E por último, pediu que eu contasse essa história para meu neto preferido.

Dito isso, não poderia falar mais nada. Apenas sorrir com a idéia de que aquele homem de bochechas caídas tinha um neto preferido. E já vou logo avisando que, no momento, não estou aberto a humildade. Eu era o único a ouvir aquela história e nenhuma conversa real me arrancaria esse saber.


escrito por alisson villa

@ 11:13 caixa de correio: cartas

Quarta-feira, Julho 02, 2003


Momento Atum


Alguém aí já teve que escrever sobre multiplexação por divisão de comprimento de onda? Ou quem sabe sobre informática aplicada ao planejamento e redução de custos na lavra? Deus! Eu gosto é de Drummond, eu gosto é de Clarice! Tranquem as portas, preparem um rum, acho que vou virar um atum!


escrito por alisson villa

@ 17:26 caixa de correio: cartas


Simpatias por uma vida menos ordinária I


Mandinga para tornar-se mais interessante

Abra um livro do Freud em uma roda de conhecidos. Feche rapidamente e diga com ar blasé: "Não perco tempo lendo coisas que minha mãe já me ensinou na prática". Em casa, corte o pulso superficialmente (cuidado! não vá morrer antes de diluir um pouco de sua mediocridade) e pingue algumas gotas de sangue num copo de licor. Comece a se masturbar e quando estiver gozando, beba o sangue. Na mesma roda de amigos, exiba a cicatriz no pulso dizendo que foi sua mãe. Ao contar qual fora sua reação, explique que simplesmente gozou. Mulheres tentaram te estuprar, homens vão querer fechar sociedades. Rejeite as primeiras propostas, mas não exagere.


escrito por alisson villa

@ 10:05 caixa de correio: cartas

Terça-feira, Julho 01, 2003


Incisão número 16: Perdão


Pelo dia em que não te liguei de volta,
pela bagunça no quarto,
pela bagunça dentro de mim,
pelas críticas ao seu poema,
pela janela aberta durante a chuva,
pela falta de jeito com orquídeas,
pela pouca palavra,
pela palavra excessiva,
pelo gozo apressado,
pelo macarrão sem molho,
pela velocidade do bom dia,
pelo ônibus lotado,
pela nuvem vestindo o sol,
pelo chocolate diet,
pela marca no pescoço,
pela fila no banco,
pelo disco arranhado,
pelo perfume barato,
pelo susto no escuro,
pelas mortes na Zâmbia,
pelo displicente sexo oral,
pela fadiga,
pelo tapete molhado,
pelo zíper emperrado,
pela vida mastigada,
pelo vício por círculos,
pela morte sem aviso prévio,
perdão.


escrito por alisson villa

@ 17:53 caixa de correio: cartas


Programa Guarda-Chuva de Tereza dança com Luma de Oliveira


Se você procura novidades sobre o novo disco do Rush, detalhes sobre a última montagem teatral de comédia pastelão ou ainda informações sobre o lançamento de outra película de Julia Roberts, não ouça o programa Guarda-Chuva de Tereza, que vai ao ar todas as terças-feiras, das 22h às 24h, pela Rádio Santê FM (96,1), em Belo Horizonte.

Com apresentação de Cristiano Diniz e Alisson Villa, o Guarda-Chuva (como é chamado pelos pingos mais íntimos) trata de todas as manifestações culturais, mas com a preocupação em mostrar o novo. Há espaço para entrevistas, inserção de poesia, música boa e falatório geral.

Quem já passou pelo programa: o produtor musical Jefferson Kaspar; os escritores Gonzaga Medeiros e Ana Elisa Ribeiro; o cineasta Carlos Canela; a banda Mono Revel; dentre outros entrevistados.

O que já tocou no programa: Starlight Mints, Grupo Galpão, Mr Bungle, Sydney Magal, Massive Attack, Vovó Mafalda, Radiohead, Bossa Cuca Nova, Pavement, Los Hermanos, Tim Maia Racional, Flaming Lips, Elizeth Cardoso e outras várias bandas e cantores que fazem a vida mais feliz.

Ouça o Guarda-Chuva de Tereza, hoje, às 22 horas, pela Santê FM (96,1).


P.: O título foi só pra chamar atenção, mas não dispensaríamos uma sambada com a Luma.


escrito por alisson villa

@ 09:52 caixa de correio: cartas


Dicionário Lúdico Brasileiro III


Amor - 1. Movimento feito pelas asas das joaninhas antes de levantar vôo; 2. Biblioteca exclusivamente formada por livros que tratam sobre suspiros; 3- Oitava nota da escala musical; 4- Medida utilizada pelos romanos para pesar a alma (Ex.: "Engolia beijos com torradas, antes de correr para a leitura e ver quantos amores pesava sua alma" in: Interrogações Azuis, de G.H.)

Amigo - 1. Nó utilizado para carregar pianos; 2. Antônimo de engarrafamento; 3- Pessoas dotadas de habilidade para pôr do sol (Ex.: "Sentaram-se na areia da praia e ficaram observando a amizade" in: Sereias no Céu, de Letícia)


escrito por alisson villa

@ 01:23 caixa de correio: cartas


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