Segunda-feira, Junho 30, 2003
- 3 tênis All Star (1 preto, 1 vermelho e 1 azul)
- 1,77m de altura (eu acho)
- 41 é quanto calço
- 4 dentes a menos, retirados pelo dentista há mais de 10 anos.
- 25 anos e 1 mês
- Uma cachorra chamada Fofinha que hoje está no céu dos cães
- 0 irmãos
- 0 ossos quebrados
- 0 cachecóis
- 4 namoradas na vida
- 0 espiadas na morte
- 1 tratamento de hiperglicemia
- 1 tratamento de gastrite
- Uma edição especial de Paixão Segundo GH
- 2 camisas do Galo
- 2 violões e 1 baixo
- 0 jacarés embaixo da cama
- 4 pontos na cabeça (ops!) e 5 no queixo
- Uma mordida de cachorro quando tinha 2 anos
- Uma medalha de ouro no campeonato de futebol do colégio (era o goleiro)
- 0 telefones celulares
- 6 companheiros de banda
- 3 cactos coloridos
- Um vinil com encarte especial (em forma de livro) do Magical Mystery Tour
- 12 Girassóis de Van Gogh na porta do guarda-roupa
- Uma timidez estúpida
- Mais de 5 menos de 10 amigos eternos (mesmo que ausentes)
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alisson villa
@ 20:57
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Domingo, Junho 29, 2003
em técnicas de assistência ventilo-respiratória
Ele ou Alma fraturada
Esbanjando uma notável palidez, comum nos períodos de recuperação de alma fraturada, o Garoto-de-Tênis-Azul ensaiava uns desastrados passos na pista de dança da festa. Mas como ele estava ali para se tratar, por mais sincronizados que seus passos se tornassem, ainda não lhe caberia a audácia de convidar Dona Felicidade para dançar. Afinal, essa senhora exige toda uma gama de delicadezas no bailar, essenciais para evitar comentários do tipo: "Aquela ali dançando é a Felicidade? Quase não a reconheci, está toda torta a coitada".
Ela ou Fabricando nuvens
Do outro lado (Da cidade? não... Da verdade? não... Da saudade? SIM!) da pista, balançando-se calmamente no ritmo da música, a Garota-de-Dedos-Floridos esperava o seu próximo paciente. Não que ela soubesse que estava em horário de trabalho. No entanto, preferia atender as pessoas nesse desconhecer do ofício, como quem balança os cabelos na inocência de não perceber que assim fabricam-se nuvens. Um método nada ortodoxo, é bem verdade, rejeitado por quase toda academia, que é formada, claro, por velhos barbudos sentados em cadeiras que só faziam ranger.
Eles ou Palavra em pétala
E exatamente no milésimo piscar das luzes coloridas da pista de dança, horário marcado pelo Sr. Acaso com alguns segundos de antecedência (afinal, a agenda estava lotada), a Enfermeira-de-Cabelos-Lisinhos pegou o Garoto-de-Tênis-Azul pelas mãos e o levou até a Garota-de-Dedos-Floridos. Postos frente a frente, formais saudações feitas, é ele quem a convida para adentrar o consultório. Toda solícita (palavra que desconfio ser formada por pétalas - teoria ainda a ser comprovada em futura conversa com gramáticos colecionadores de metáforas), ela aceita o convite e os dois partem em direção a pista de dança.
Ela ou Anestésico natural
Com leves sorrisos soltos sem porque, a Garota-de-Dedos-Floridos o anestesiou momentos antes de começar o tratamento (mas aqueles sorrisos - embaralho as palavras - já não eram a cura completa?!). A música batia insistente à porta, mas os dois mantiveram-se muito bem trancados, um olhar dentro do outro... Quando muito próximos, a respiração dela partia em leves redemoinhos, que rapidamente curaram a cardiopatia de natureza hipertensivamente desilusória que há muito o consumia, realizando, assim, uma das mais belas assistências ventilo-respiratórias já vistas...
Ela, ele e o segredo
- Eu tenho uma flor desenhada! Olha!
E ela, toda feliz, mostra o esmalte florido (Era o remédio!). O Garoto-de-Tênis-Azul pensa em quantas pessoas da festa mostrariam suas flores de maneira tão inocentemente alegre. Olha em volta e não consegue escolher ninguém. A sua alma fraturada solidifica-se com aquele privilegio ofertado em infinito segredo. Tão infinito que nem mesmo ela desconfia que o está curando... Mas durante todo tempo não é era esse o seu método?
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alisson villa
@ 22:04
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Para ler escutando "Sentimental", dos Los Hermanos
Ainda escrevo cartas de amor. Não, melhor: sempre vou escrever cartas de amor. Mas não preciso estar necessariamente apaixonado para escreve-las. Posso conhecer alguém em uma festa qualquer e na mesma noite me ver em frente ao computador discorrendo à respeito daquela pessoa. Por isso, penso que o amor ali relatado é, muitas vezes, uma declaração ao ser humano. É uma vontade intensa de dividir com o mundo as belezas daquela pessoa que acabo de conhecer. Sou um que ainda se encanta ou, por que não dizer, coleciona as sutis belezas das pessoas.
Talvez, muito desse encantar-se facilmente com as pessoas venha da minha fração criança, inocente, que é automaticamente ativada ao menor sinal de pessoa colorida ao redor. Desse momento em diante, quero ouvir o que ela tem a dizer, pescar o que ela queria ter dito, mergulhar no que ela nunca diria...
Mas eu também me desarmo, falo sobre coisas leves, conto histórias bobas, desabilito aquele anti-vírus que existe dentro da gente para evitar que outras pessoas invadam nossos saberes e nos machuque.
E mesmo que eu seja infectado, fique fora do ar por algum tempo ou não funcione corretamente, ainda acredito na delicada mistura dos olhares...
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alisson villa
@ 21:51
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Inauguro hoje o Momento Atum, no qual desfilarei motivos que me levariam a virar um estúpido e inútil atum. E lá vai o primeiro:
Ser obrigado a escutar a Dança da Manivela dentro do seu próprio quarto só porque o vizinho idiota, com seus amigos idiotas e suas risadas idiotas estão com o som alto é um bom motivo pra virar atum.
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alisson villa
@ 13:34
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Sábado, Junho 28, 2003
Enquanto almoçava, comecei a ver despretensiosamente mais um episódio de Chapolin. No entanto, me deparei com o seguinte enredo: Um casal vai pagar a conta do hotel onde estão hospedados, mas o recepcionista quer cobrar um preço exorbitante. O casal fica desesperado, pois não tem o dinheiro.
- Oh! Quem poderá nos defender?
- Eeeeuuu!!!
- Chapolin Colorado!!!
Poxa, os filmes do Batman não tem esses roteiros deliciosos e tão latino-americanamente realistas...
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alisson villa
@ 16:40
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Agora já é noite. Sei porque lá fora o céu veste um esmalte preto. Encolhendo, as nuvens viraram estrelas e não tenho tempo para contá-las. Sou um homem. Adulto. Não tenho tempo para contá-las. Não tenho tempo para o tempo que me exige tempo para contá-las. Adulto, sou um homem.
Na rua, um carro grita seu motor. Seu motor é um grito enlatado. Como enlatado são meus gritos. Na rua, passo a gritos enlatados sem motor.
Lá fora o céu veste um esmalte preto. Aqui dentro o esmalte rubro veste minhas paredes vivas. Lá de fora, onde o esmalte é preto, não tão preto quanto enlatado é o grito, nega-se enxergar algo dentro deste corpo rubro. Há que se enxergar apenas o que de rubro grito escorrer da boca morta.
Então me crava essa noite preta, que da boca morta minha vida esvai. Porque de longe o motor do carro grita, bem mais alto que minha vida rubra.
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alisson villa
@ 11:23
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Sexta-feira, Junho 27, 2003
Eu, Dina e Pierre, ou seja, a turma da comunicação do serviço, saímos hoje pra almoçar juntos. E vocês já viram, né: "Hoje é sexta-feira, dia de alegria, cantemos felizes a canção dia". Comemos uma boa feijoada e, pra quebrar o clima de stress do serviço, umas pinguinhas...
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alisson villa
@ 12:37
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Quinta-feira, Junho 26, 2003
Dente - 1. Instrumento originário da Transilvânia usado para extrair sangue de animais; 2. Carimbador para marcas provisórias em corpos humanos. (Ex.: "Enquanto observava a marca deixada pelos dentes dele em seu pescoço, um estremecimento de saudoso desejo lhe roubava o controle ao imaginar quais outras partes de seu corpo também guardavam aqueles deliciosos presentes..." in: Notícias de Vênus; de Juju)
Estrelas - 1. Pedras que atiradas para o alto libertam-se da força da gravidade e ganham luz própria por serem assim tão inexplicavelmente predestinadas; 2. Espécime de vaga-lumes megalomaníacos; 3. Cacos de vidro do céu; 4. Diz-se dos sorrisos das pessoas apaixonadas. (Ex.: "Ao terminar de ler a carta afundou seu rosto no travesseiro, em uma ingênua tentativa de esconder do mundo o seu sorriso-estrela..." in: A Garota Feliz e Outras Histórias; de Anna Barbara)
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alisson villa
@ 21:38
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Tão novinho o meu blog e já passo por problemas com os comentários. Eles aparecem zerados, ou constando apenas um comentário... mas todos os recados do pessoal estão lá se você clicar em um deles pra ver... pelo menos por enquanto... vamos aguardar as cenas do próximo capítulo, quando o Comentário tenta acertar minha cabeça com uma escova de dente... e o pior, com pasta dental nela!!!
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alisson villa
@ 10:47
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Não vou precisar viajar destrambelhado para o interior para ver os sempre espetaculares shows da Nação Zumbi. Eles vão tocar aqui em BH mesmo. Pra quem ta voando e ainda não sabe, vai ser nessa sexta-feira, no Lapa Multshow. Imperdível! Aliás, como o assunto são shows espetaculares, aí vai uma lista (sem ordem de preferência) das apresentações legais que eu já vi aqui em Minas:
1- Sepultura e Ramones, na Gameleira - Poxa, isso deve ter mais de 10 anos! Mas foi marcante, fiquei muito impressionado com o show do Sepultura.
2- Fugazi, antiga Fábrica, em Santa Tereza - Super engraçado os caras da banda neurando com o povo que subia no palco.
3- Tom Zé, numa cidadezinha do interior que não lembro o nome - Como sempre o cara pulava pra lá e pra cá igual a um louco e ficava regendo a banda como se fosse uma orquestra, marcando a entrada de cada instrumento. Muito bom!
4-Little Quail and the Mad Birds, no Squash (sei lá como escreve isso) - Também tem mais de 10 anos. O lugar era do tamanho de um quarto, o que contribuiu para que o show fosse esquito e legal.
5- Nação Zumbi, Casa do Conde - Pulei como um louco, gritei como um louco, acho que eu estava louco.
6- Los Hermanos, Pop Rock Café - O lugar é uma merda! Mas a banda faz a gente cantar junto lindas canções de dor de cotovelo.
7- Asian Dub Foundation, Casa do Conde - A Pola ficava se debatendo no meio do povo, que tava grudadinho dentro do galpão apertado. Tive de segurá-la umas 3 vezes pra que ela não despencasse no chão. E a banda quebrando tudo.
8- Stereolab, naquele cinema embaixo do viaduto da rodoviária - Que lugar legal aquele. E aquela mulher cantando em francês... me senti muito cult... hahahaha...
Devo estar esquecendo de algum show legal... depois coloco mais.
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alisson villa
@ 10:20
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Moldura-te dentro de mim,
como uma obra inacabada:
Sempre a retocar o gozo
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alisson villa
@ 00:01
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Quarta-feira, Junho 25, 2003
A poesia suplica ao poeta:
- Rasga-me os versos, pois sou uma puta!
Mas ordinariamente romântico, o bardo escreveu:
"Ao seu amor
lhe entrego a flor"
Era um poeta de merda.
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alisson villa
@ 13:43
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Árvore - 1. Resultado dos esforços do chão em querer beliscar o céu; 2. Moradia provisória de crianças encapetadas. Ex.: "Pedro foi morar na árvore pois há muito tinha vertigem do chão..." in: Livro dos Girassóis; Catarina Fürst.
Lustre - 1. Incubadora de sol artificial; 2. Ninho para insetos suicidas. Ex.: " Dentro daquele lustre, estava tudo traiçoeiramente acolhedor e quentinho para a mosca Petrusca..." in: Contos do Amanhecer; Ana H.
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alisson villa
@ 01:19
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Terça-feira, Junho 24, 2003
A Fotógrafa lia com dedicada atenção o transitar das pessoas, elegendo o melhor momento para petrificar em papel colorido uma situação qualquer. Mas há quem diga que o olhar individual transforma uma "situação qualquer" em intimidade das coisas. Assim como, através da minha retina já um pouco cansada, transformava a Fotógrafa em coisas leves como assobios desafinados, água de rio, chuva na calha da casa do avô, livro do Quintana...
E ela a brincar de eternizar...
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alisson villa
@ 08:41
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Estranho é dizer que, ao invés do cão, quem late é o chocolate.
Nada é choco com chocolate.
Derreter-se: não é um estado possível tanto do coração quanto do chocolate?
Essa frase não tem nada a ver com chocolate. Obrigado.
Sempre achei estranho o chocolate ao leite ser preto. Leite é tão branquinho...
Receita: misture chocolate com nuvem e terá um mousse celestial.
Olhe para o lado. Morda um pedaço de chocolate. Agora olhe para o lado novamente.
Se poesias pudessem ser materializadas, não seriam quase todas feitas de chocolate?
Páscoa é um nome tão sonso. Melhor seria se chamasse Astrogildo.
Pergunte à pessoa mais próxima se ela não acha que os chocolates deveriam ter bochechas.
Se na boca forem misturados chocolate branco com chocolate preto, a massa atleticana torcerá para que você os engula com raça e amor.
Palmas para o moço que dá nome às coisas, pois "bombom" nunca poderia se chamar "ruimruim".
Abra um bombom. Coma o chocolate. Jogue o papel em alguém. Acuse outra pessoa.
Lamber os dedos sujos de chocolate não é o mesmo que fumar um cigarro depois da transa?
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alisson villa
@ 00:10
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Segunda-feira, Junho 23, 2003
Gosto de sorvete de rum; amo conversar com as poesias de Drummond; uma das minhas frustrações é não ter um cachorro por morar em apartamento; na música, prefiro as que colorem; adoro dar cambalhotas com os amigos; namorar é encostar nariz com nariz e sorrir; azul é uma cor linda; o Atlético me faz pular; só durmo porque sonho e sonho acordado para não dormir tanto; conhecer pessoas é ficar boquiaberto e boquiaberto é uma das palavras que nunca tinha escrito, portanto, não sei sua grafia.
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alisson villa
@ 14:41
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I
Meu nome é Laura e tenho 7 anos. Gosto de brincar com minha boneca, tomar sorvete de chocolate e beijar minha mãe, que é muito linda. Não gosto quando minha professora passa muito para-casa, quando meu pai briga comigo e quando o sono cola meus olhos com tinta preta.
II
Clara cerrou os dentes, como todas as outras vezes em que o namorado, adormecido no seu colo, respirava próximo à sua barriga. Terminavam de transar e minutos depois ele aninhava-se em Clara. Ela, no entanto, torcia para que o sono a tomasse rapidamente por inteira, pois não suportava o torturante leve sopro da respiração a arrepiar sua barriga. E do escuro do quarto, quem secretamente escutasse os gemidos de Clara, pensaria que ela ainda transava...
III
Senhor Dráuzio trabalha como porteiro noturno há 32 anos. E todas as vezes que perguntam por que ele carrega sua garrafa térmica embaixo do braço até mesmo quando vai abrir o portão da garagem, ele responde: "É que é bom tomar sempre um cafezinho pra gente não acabar ficando esperto apenas pra dentro".
IV
"Animada a festa, não"? "É". "Só não gosto muito dessas músicas. São inadequadas para o nível das pessoas". "Talvez" - respondeu seca novamente, pois começou a flertar com um homem sentado no sofá. De aspecto sóbrio e gestos lentos, o homem acenou para ela, que foi sentar-se ao seu lado. "Nunca vi você nas festas da Paulinha. Veio com quem"? - e o homem apontou para o rapaz que conversava com ela sobre as músicas da festa. "Com ele? Unnn... Mas você ainda não me disse seu nome". O homem, que até então não havia pronunciado uma palavra sequer, lhe respondeu baixinho no ouvido: "Sono". E ela adormeceu recostada no sofá, para desaprovação do rapaz que agora, além da qualidade das canções, reclamava também das pessoas que não sabiam comportam-se bem em ambientes de alto nível.
V
"É foda sonhar pra fora"! "E como é esse lance de sonhar pra fora"? "É o mesmo que sonhar pra dentro, só que tem sempre alguém pra te falar que tudo aquilo vai dar errado".
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alisson villa
@ 01:16
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Que Cavaleiro das Trevas que nada; que Sandman o que; V de Vingança uma pinóia!!! O melhor personagem dos quadrinhos é esse aí:
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alisson villa
@ 01:00
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Domingo, Junho 22, 2003
Para ler escutando La valse d'Amélie (trilha do filme O fabuloso destino de Amélie Poulian)
Há algumas razões para amar sem porquê. Mas não posso dizer com certeza quais são elas. Sabê-las com exatidão, como quem resolve uma multiplicação, tornariam todas as coisas estupidamente tangíveis (o que acabaria com o emprego dos poetas e dos vendedores de algodão doce). No entanto, posso me atrever a citar ao léu, despretensiosamente, como quem rabisca palavras ao vento, algumas razões nada definitivas para amar sem porque:
Permitir passivamente que o sol invada as esquinas do seu corpo;
Escutar no vento poemas nunca escritos;
Dedilhar melodias circulares no violão;
Dedilhar melodias circulares no peito;
Dedilhar;
Sonhar um vôo macio e lento pela noite ;
Saltitar quadrados desenhados nas calçadas;
Receber uma carta e esperar até o último segundo para abri-la;
Escutar no escuro a lenta respiração da outra pessoa;
Ver nas nuvens uma onda do mar;
Ver no mar as nuvens do céu;
Equilibrar pelas manhãs um sorriso besta em frente ao espelho do banheiro;
Perder-se no meio da leitura e surpreender-se imaginando sua própria história;
Chutar uma tampinha até a outra esquina;
Afundar a cabeça no travesseiro até não suportar o calor;
Contar estrelas até perder a conta do que é estrela e do que é você...
(Escreva você mesmo suas razões para amar sem porque...)
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alisson villa
@ 21:23
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A banda Los Hermanos já gravou muitos covers legais. Vários estão rodando pela internet. Um dos mais legais é o de A Palo Seco, de Belchior.
Ventura, o disco novo dos caras, também está bem legal (apesar da inexplicável gravação ruim que ninguém comenta). Uma das minhas favoritas é "Além do que se vê". Da vontade repetir o coro final dessa canção várias vezes...
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alisson villa
@ 21:00
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Sábado, Junho 21, 2003
I am he as you are he as you are me
and we are all together
See how they run like pigs from a gun
see how they fly
I'm crying
Sitting on a cornflake
Waiting for the van to come
Corporation T-shirt, stupid bloody Tuesday
Man you've been a naughty boy
you let your face grow long
I am the eggman
they are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g' joob
Mr. city policeman sitting
pretty little policemen in a row
See how they fly like Lucy in the sky
See how they run
I'm crying
I'm crying, I'm crying
Yellow matter custard
Dripping from a dead dog's eye
Crabalocker fishwife
Pornographic priestess
Boy, you've been a naughty girl
you let your knickers down
I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g' joob
Sitting in an English garden
waiting for the sun
If the sun don't come you get a tan
from standing in the English rain
I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g' joob
Expert, texpert choking smokers
don't you think the joker laughs at you
See how they smile like pigs in a sty
See how they snide
I'm crying
Semolina pilchard
climbing up the Eiffel tower
Elementary penguin singing Hare Krishna
Man, you should have seen them kicking
Edgar Allan Poe
I am the eggman
They are the eggmen
I am the walrus
Goo goo g' joob
Goo goo g' joob
Goo goo g' goo
goo goo g' joob goo
juba juba juba
juba juba juba
juba juba juba juba
juba juba

